<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000</id><updated>2012-02-12T12:52:32.856-03:00</updated><category term='orgulho'/><category term='sexo'/><category term='Sófocles'/><category term='humildade'/><category term='idealismo'/><category term='férias'/><category term='romantismo'/><category term='Korpiklaani'/><category term='Benjamin Franklin'/><category term='São Paulo (santo)'/><category term='terapia'/><category term='comunicação'/><category term='Espanha'/><category term='Jorge Luís Borges'/><category term='cultura'/><category term='Arkona'/><category term='Luís de Camões'/><category term='amizade'/><category term='promessas'/><category term='Sonata Arctica'/><category term='Guimarães Rosa'/><category term='Michael J. Gelb'/><category term='Nicolau Copérnico'/><category term='valquírias'/><category term='escrever'/><category term='poesia'/><category term='homem'/><category term='São João da Cruz'/><category term='Vlad III'/><category term='Stephen King'/><category term='persistência'/><category term='Ritchie Blackmore'/><category term='biologia'/><category term='F. Scott Fitzgerald'/><category term='rock&apos;n&apos;roll'/><category term='ser humano'/><category term='redes sociais'/><category term='Escócia'/><category term='disciplina'/><category term='Rainbow'/><category term='rock nacional'/><category term='Loreena McKennitt'/><category term='ciência'/><category term='dever'/><category term='Black Sabbath'/><category term='morte'/><category term='Olavo Bilac'/><category term='Richard Bach'/><category term='antropologia'/><category term='Porto Alegre'/><category term='lógica'/><category term='Drácula'/><category term='solidão'/><category term='línguas'/><category term='Brasil'/><category term='Odin'/><category term='Luís Fernando Veríssimo'/><category term='Igreja'/><category term='adolescência'/><category term='informação'/><category term='mulher'/><category term='Deus'/><category term='arte'/><category term='confiança'/><category term='vida'/><category term='Grave Digger'/><category term='cinismo'/><category term='Legião Urbana'/><category term='dinheiro'/><category term='Big Brother'/><category term='literatura'/><category term='condição humana'/><category term='Finlândia'/><category term='nomes'/><category term='Segunda Guerra Mundial'/><category term='internet'/><category term='Silver Mountain'/><category term='Shakespeare'/><category term='beleza'/><category term='Oscar Wilde'/><category term='velhice'/><category term='vulgaridade'/><category term='Ronnie James Dio'/><category term='gratidão'/><category term='heavy metal'/><category term='celular'/><category term='saudade'/><category term='amor'/><category term='educação'/><category term='Andy Warhol'/><category term='Bíblia'/><category term='Machado de Assis'/><category term='noite de sábado'/><category term='Leonardo da Vinci'/><category term='História'/><category term='Detonautas'/><category term='cinema'/><category term='Thiago de Mello'/><category term='Hammerfall'/><category term='Rei Artur'/><category term='Érico Veríssimo'/><category term='mitologia nórdica'/><category term='Nightwish'/><category term='Roma'/><category term='Europe'/><category term='Marion Zimmer Bradley'/><title type='text'>Inner Wilderness</title><subtitle type='html'>Um pouco do meu interior inexplorado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-4382583206321794370</id><published>2011-09-10T01:48:00.003-03:00</published><updated>2011-09-10T02:13:39.589-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luís Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Roma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arkona'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ser humano'/><title type='text'>Ancestrais</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cAHN6YDvZxE/Tmrx6N3HkDI/AAAAAAAAAbM/7tJwI1eMi0s/s1600/hadrians_wall_northumberland_uk_photo_gov.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650594664945258546" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-cAHN6YDvZxE/Tmrx6N3HkDI/AAAAAAAAAbM/7tJwI1eMi0s/s400/hadrians_wall_northumberland_uk_photo_gov.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;Peço a meus deuses ou à soma do tempo&lt;br /&gt;que meus dias mereçam o olvido,&lt;br /&gt;que meu nome seja Ninguém como o de Ulisses,&lt;br /&gt;mas que algum verso perdure&lt;br /&gt;na noite propícia à memória&lt;br /&gt;ou nas manhãs dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jorge Luis Borges&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sensações e percepções que às vezes são despertadas em momentos que não esperamos, por situações que não poderíamos prever. Neste momento, o fato de não ser uma criatura isolada no tempo me atingiu com toda a força. Para (tentar) ser mais claro, isso quer dizer o fato de que sou o produto de um processo que começou séculos, milênios ou milhões de anos antes do meu nascimento, conforme eu queira me ater aos aspectos históricos, raciais ou biológicos da coisa. Pois eu, como de resto qualquer ser humano, sou o resultado da combinação de todos esses fatores. Eu, e quem estiver me lendo neste momento, somos o que saiu de uma panela onde todos esses ingredientes foram postos a cozinhar juntos durante eras. Será que valeu a pena?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para registro, o que causou esse acesso de loucura foi o CD &lt;em&gt;Lepta&lt;/em&gt; (título que, vejam só, quer dizer história, no sentido de conto, narrativa), da banda russa Arkona. Mal entendo uma ou outra palavra do que está sendo cantado, mas mesmo assim a música tem o poder de despertar coisas em mim que me perturbam com uma sensação de "ancestralidade". Não parece vir ao caso o fato de eu não ter, que eu saiba, nem o mais remoto traço de ascendência eslava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanta coisa que faz de nós o que somos - e é um tanto assustador pensar que talvez nem dez por cento disso tenha a ver com nossa vontade, com nossas escolhas, com qualquer coisa que possamos controlar. O homem é o sujeito da História, dizem, e talvez seja, mas "homem", aí, não quer dizer os homens, e sim o Homem - a Humanidade, para a qual pouca diferença fazem os pensamentos que volta e meia entram em turbilhão dentro da cabeça de um indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou podem fazer diferença, de uma forma que ninguém imaginaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1999, quando eu tinha 25 anos, escrevi uma tentativa de poema épico sobre a conquista da Bretanha pelos romanos - pelo que me lembro, historicamente correto, literariamente patético. Meu eu-lírico era um simples legionário dentre os milhares que participaram da primeira expedição (fracassada) e mais tarde da segunda, bem-sucedida. O poema era dividido, acho, em quatro partes: a primeira tinha um tom ufanista, de estamos-indo-conquistar-uma-nova-terra; a segunda era mais realista e dolorosa, pois falava de como os sonhos romanos de conquista foram atropelados pela realidade a bordo das carruagens de guerra bretãs e de como os pretensos conquistadores foram forçados a se retirar; a terceira tratava da segunda expedição, agora mais cautelosa e inteligentemente planejada, e de seu sucesso; e a quarta parte era a que realmente me interessa aqui. Nela, o legionário perguntava-se: tudo bem, vencemos - e agora? E, no meio de muitos versos tão canhestros que espero que ninguém jamais os leia, ele dizia o que hoje me parece ser a única frase aproveitável de todo o poema: "Sendo senhor, sinto-me tão pequeno!" Pois tinha chegado a compreender que era apenas o elo atual de uma corrente que vinha de um passado longínquo e desconhecido, e estendia-se até um futuro impossível de imaginar. "Uma pedra numa longa muralha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aflitivo? Depende de como se olhe. A imensidade do tempo pode nos levar a sentir que qualquer coisa que realizemos será minúscula e transitória - e será mesmo. Porém, minúscula e transitória não quer dizer insignificante. O passado longínquo e o futuro inimaginável não pertenceriam um ao outro se não houvesse aquele pequeno elo, ali, talvez despercebido, mas indispensável. A muralha estaria incompleta sem aquela única pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goethe escreveu que o que herdamos de nossos ancestrais precisa ser merecido antes que passe verdadeiramente a ser nosso. Olhando para a outra extremidade do mistério, eu acrescentaria que o que deixaremos para nossos descendentes precisa ser algo que valha a pena, para que nossa estada neste planeta tenha tido um sentido. O que me leva a reformular o que pensei há pouco sobre aquilo que nos tornamos ter pouco a ver com nossa vontade. No fundo, temos escolha, embora não tanta quanto gostaríamos: não podemos escolher as coisas que nos acontecem, mas podemos escolher de que modo vamos enfrentá-las. E isso, no fim das contas, pode ser a escolha mais importante - e a que dirá que tipo de elo nos tornaremos naquela corrente infinita.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-4382583206321794370?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/4382583206321794370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=4382583206321794370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4382583206321794370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4382583206321794370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2011/09/ancestrais.html' title='Ancestrais'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-cAHN6YDvZxE/Tmrx6N3HkDI/AAAAAAAAAbM/7tJwI1eMi0s/s72-c/hadrians_wall_northumberland_uk_photo_gov.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-445905752891689957</id><published>2011-08-18T22:43:00.001-03:00</published><updated>2011-09-09T23:41:06.991-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Finlândia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonata Arctica'/><title type='text'>For the Sake of Revenge</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EH2v_EsV34s/TmrLEVVywdI/AAAAAAAAAaE/z3_caB2nZG0/s1600/Sonata%2BArctica%2B-%2BFor%2Bthe%2BSake%2Bof%2BRevenge%2B%25282006%2529%2BDVD%2B-%2BRip.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650551957798175186" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-EH2v_EsV34s/TmrLEVVywdI/AAAAAAAAAaE/z3_caB2nZG0/s400/Sonata%2BArctica%2B-%2BFor%2Bthe%2BSake%2Bof%2BRevenge%2B%25282006%2529%2BDVD%2B-%2BRip.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Escrevi um comentário (não gosto de chamar de crítica) sobre o DVD &lt;em&gt;For the Sake of Revenge&lt;/em&gt; em 2007, e desde então ele esteve esquecido no meu computador. Quando o redescobri, decidi que valia a pena colocar aqui no IW, já que tenho gostado bastante da experiência de escrever sobre música e o blog foi pouco atualizado este ano. A versão que apresento aqui teve pouca coisa mudada, exceto pela exclusão de um parágrafo inicial que tratava do &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; do heavy metal na Finlândia, ideia que reaproveitei no meu comentário sobre o Korpiklaani.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Pessoalmente, considero o Sonata Arctica um dos expoentes mais interessantes da safra finlandesa que conheci nos últimos anos. Críticos metidos a sofisticados torcem o nariz, rotulando-o como um "clone de Stratovarius" - sem contar que bandas de metal melódico como um todo são geralmente consideradas caça legal pela maior parte dessa raça. O que me cumpre dizer é que quem deixar de conferir o som dos caras por causa de preconceitos desse tipo estará se privando de algo maravilhoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Este DVD é uma bela opção para os fãs que desejarem conferir ao vivo as músicas dos álbuns da banda, e ao mesmo tempo uma ótima introdução para quem ainda não os conhece. Ele traz um concerto gravado no Japão em 2006, com repertório muito bem escolhido, som e imagem impecáveis, e, claro, um desempenho irrepreensível do quinteto finlandês. Inclui também uma utilíssima discografia, fichas pessoais dos integrantes (por alguma razão misteriosa, essa parte é intitulada &lt;em&gt;Biography&lt;/em&gt;) e um documentário gravado durante a turnê japonesa, ao qual, para ser sincero, não consegui assistir: sei que há quem ache interessante, mas eu sofro de uma incurável tendência a bocejar incontrolavelmente quando tento assistir a documentários de rock. Se pago por um DVD de música, o que espero dele é &lt;em&gt;música&lt;/em&gt;: quero ver e ouvir a banda tocando. Não tenho qualquer curiosidade de ver os músicos desembarcando no aeroporto, ou aquelas brincadeirinhas "divertidas" no ônibus e no backstage, ou ainda pessoas que provavelmente fazem parte da equipe que trabalha com a banda, mas que não tenho a menor idéia de quem sejam, falando em finlandês, com legendas em inglês, sendo que a maior parte do que dizem não parece fazer o menor sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;E já que música é o que interessa, é de música que vamos falar. O Sonata Arctica é uma daquelas bandas que conquistam logo à primeira ouvida quem aprecia a fusão de beleza melódica, peso e técnica. Todos os músicos são excelentes, ainda que o cantor Tony Kakko monopolize a atenção da platéia. Em tempos também tecladista da banda - função hoje exercida pelo ótimo Henrik Klingenberg, de modo que Kakko fica livre para se concentrar apenas nos microfones -, o &lt;em&gt;frontman&lt;/em&gt; é também o principal compositor, responsável por canções emocionantes como &lt;em&gt;Kingdom For a Heart&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;8th Commandment&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Replica&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Victoria’s Secret&lt;/em&gt;, todas presentes no DVD. Porém, o verdadeiro hino dos fãs da banda vem quase no início do setlist, para ser mais exato é a terceira música: falo da indescritivelmente maravilhosa &lt;em&gt;FullMoon&lt;/em&gt;, que aqui é apresentada em sua versão mais matadora, superior não só à gravação original (do primeiro álbum da banda, &lt;em&gt;Ecliptica&lt;/em&gt;), mas também à outra versão ao vivo já existente, encontrada no álbum &lt;em&gt;Songs of Silence - Live in Tokyo&lt;/em&gt;. Aqui, além de o duelo entre Klingenberg e o guitarrista Jani Liimatainen estar mais inspirado que nunca, música ganhou um final emocionante, aparentemente um excerto da música &lt;em&gt;White Pearl, Black Oceans&lt;/em&gt;, que é do álbum &lt;em&gt;Reckoning Night&lt;/em&gt;. Infelizmente não conheço esse álbum, que não consegui adquirir porque, dizem, está fora de catálogo (alô, Laser Company). &lt;em&gt;Victoria’s Secret&lt;/em&gt;, essa nem era uma de minhas músicas preferidas nos álbuns do Sonata, mas, depois de conferir em DVD a tremenda energia que a banda coloca nela ao vivo, até a minha maneira de ouvi-la mudou. E que dizer então da vertiginosa &lt;em&gt;8th Commandment&lt;/em&gt;? Nessa música, a beleza do trabalho instrumental não desmereceria qualquer composição clássica, mas a isso ainda se mesclam várias mudanças de tempo que provocam aquele frio no estômago impossível de descrever, mas que todo fã de metal bem tocado conhece - aquela maravilhosa e quase incontrolável vontade de "agitar". O show passa ainda por outras músicas maravilhosas como &lt;em&gt;Blinded No More&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Black Sheep&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;San Sebastian&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Shamandalie&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Sing in Silence&lt;/em&gt; (talvez a única da qual gosto mais na versão de estúdio), fechando com a empolgante &lt;em&gt;The Cage&lt;/em&gt;... Quer dizer, fechando de certa forma, pois no final dela a banda resolveu encaixar &lt;em&gt;Vodka&lt;/em&gt;, uma espécie de brincadeira com uma melodia folclórica israelense, na qual os músicos tentam tocar cada vez mais rápido. Perfeitamente dispensável, a meu ver. Mas o importante é: &lt;em&gt;For the Sake of Revenge&lt;/em&gt; é um DVD magnífico e amplamente recomendável a fãs e curiosos. Como atrativo extra, ainda vem um CD contendo uma "versão compacta" do show: o áudio de 15 das 25 músicas que aparecem no DVD.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-445905752891689957?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/445905752891689957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=445905752891689957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/445905752891689957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/445905752891689957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2011/08/for-sake-of-revenge_18.html' title='For the Sake of Revenge'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-EH2v_EsV34s/TmrLEVVywdI/AAAAAAAAAaE/z3_caB2nZG0/s72-c/Sonata%2BArctica%2B-%2BFor%2Bthe%2BSake%2Bof%2BRevenge%2B%25282006%2529%2BDVD%2B-%2BRip.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2805045922250509947</id><published>2011-02-08T13:12:00.007-03:00</published><updated>2011-09-10T00:54:16.982-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Finlândia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Korpiklaani'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nightwish'/><title type='text'>Korpiklaani</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-eDI5SNJ-0WE/TmradJFcr1I/AAAAAAAAAa8/aLJVlIYZc4I/s1600/Karkelo.jpg"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650568876679540562" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-eDI5SNJ-0WE/TmradJFcr1I/AAAAAAAAAa8/aLJVlIYZc4I/s400/Karkelo.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;A história do heavy metal, a exemplo da história da humanidade, parece dividir-se naturalmente em eras, só que, no caso do gênero musical, é claro, elas se sucedem com muito mais rapidez; mas, como na História em geral, cada período tende a ser marcado pelo predomínio de uma determinada nação. O heavy metal nasceu na Inglaterra, que por longo tempo foi a Meca do gênero. Mais tarde, aproximadamente dos anos 80 aos 90, a Alemanha assumiu o posto. E hoje, no início deste novo milênio, parece ter chegado a vez da Finlândia, que, num tempo surpreendentemente curto, começou a revelar ao mundo boas surpresas uma atrás da outra - e refiro-me tanto a bandas novas quanto a outras que, já com bons anos de estrada em seu país, só recentemente conseguiram o merecido reconhecimento além-fronteiras. O fenômeno cobre uma vasta diversidade de estilos: metal melódico tradicional (Stratovarius, Sonata Arctica), folk/viking metal (Turisas), fantasy metal com influências diversas (Battlelore, que teve a grande sacada de usar no metal épico a alternância de vocais masculinos guturais com femininos etéreos, até então uma característica de bandas de doom/death metal dos anos 90), e, claro, o hoje mundialmente famoso Nightwish, que apostou numa fórmula ousada ao misturar metal melódico e elementos progressivos com vocal de ópera, e acabou caindo no gosto popular ao ponto de chegar ao megaestrelato. Não obstante, em minha opinião a coroa de banda mais original e curiosa da nova safra finlandesa vai para o Korpiklaani. Conheci graças a algumas faixas encontradas na internet, e, tradicionalista que sou, em vez de "baixar" os álbuns completos, acabei comprando três deles: &lt;em&gt;Tervaskanto&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Korven Kuningas&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Karkelo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próprio nome, que significa algo como "Clã da Floresta", nas capas dos discos e no visual cultivado pelos músicos, a banda já entrega seu objetivo, que é o de fazer um som que tenha tudo a ver com o folclore de seu país. A maioria das letras é em finlandês, e, embora dessa língua eu só conheça umas 20 palavras e nada da gramática, de modo que não tenho como ver a diferença, li em algum lugar que são coalhadas de palavras e expressões típicas de dialetos locais ou de uma modalidade arcaica da língua - não é "finlandês para executivos". De qua&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0Ez-teFgA6I/TmraLJBX2YI/AAAAAAAAAa0/JXAA-CUec5k/s1600/220px-Korven_Kuningas.jpg"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 230px; FLOAT: right; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650568567424801154" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-0Ez-teFgA6I/TmraLJBX2YI/AAAAAAAAAa0/JXAA-CUec5k/s400/220px-Korven_Kuningas.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;lquer forma, quem se liga muito na parte lírica, como eu também, não precisa se preocupar, pois os encartes dos CDs trazem tudo traduzido para o inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som é aquilo que a imprensa musical definiria como "folk metal", e por vezes com mais ênfase no "folk" que no "metal", o que talvez não agrade a alguns headbangers mais radicais, mas sem dúvida mexe com quem aprecia música de qualidade, independentemente de rótulos. Peso e velocidade não faltam (de forma alguma!), mas a música do Korpiklaani tem durante a maior parte do tempo um astral muito alegre e até festivo, coisa que não costuma ser associada ao heavy metal. A cabeça pensante da banda parece ser o vocalista e guitarrista Jonne, cuja voz rouca e sonora é sem dúvida uma de suas marcas registradas; completam a formação Hittavainen (viola, violino, rabeca, flauta), Cane (guitarras), Matson (bateria e percussão), Jarkko (baixo) e Juho (acordeon e guitarra acústica). E, palavra de honra, a emoção que os caras colocam em cada nota que tocam é coisa que ouvi em poucas bandas até hoje! Como disse, o sentimento predominante é o de alegria, é o tipo de banda que dá para imaginar tocando numa taverna para um público ruidoso e animado: músicas como &lt;em&gt;Wooden Pints&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Tervaskanto&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Erämaan Ärjyt&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Juodaan Viinaa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Vodka&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Bring us Pints of Beer&lt;/em&gt; e inúmeras outras são exemplos magníficos. Mas, como até a alegria cansa se for permanente e imutável, há as exceções, como a bela e melancólica &lt;em&gt;Gods on Fire&lt;/em&gt; (uma das poucas com letra em inglês), que aborda a questão ecológica de maneira um tanto pessimista, concluindo que "o que está feito, está feito"...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Uma coisa que eu, pessoalmente, precisei relevar para me tornar um fã da banda foi a característica que aparece nos próprios títulos de várias das músicas que acabo de citar: praticamente um terço das letras são apologias ao álcool, que os músicos parecem considerar uma parte essencial da alegria festiva que pontificam - e eu, que tomo no máximo uma taça de vinho tinto em ocasiões &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; especiais, sendo que isso nunca me impediu de me divertir, e já observei de perto (dentro da família, para ser mais exato) os efeitos devastadores que o álcool pode ter sobre a vida e a dignidade de uma pessoa, rejeito essa parte. Porém, boa música é boa música: desafio qualque&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bOZWDOxHztg/TmrZZSgo1JI/AAAAAAAAAas/ayQYDf8LfZo/s1600/tervaskanto.jpg"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650567710978397330" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-bOZWDOxHztg/TmrZZSgo1JI/AAAAAAAAAas/ayQYDf8LfZo/s400/tervaskanto.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;r um a ouvir &lt;em&gt;Vodka&lt;/em&gt;, que abre o álbum &lt;em&gt;Karkelo&lt;/em&gt;, sem sair literalmente pulando pelo quarto - a música é maravilhosa, independente de eu nunca ter provado vodka na vida, nem pretender, e discordar totalmente do refrão "drinking is good for you". E há outros momentos em que é possível curtir igualmente música e letra, como no belo achado que é &lt;em&gt;Paljon on Koskessa Kiviä&lt;/em&gt; ('As Corredeiras têm Muitas Rochas'), do &lt;em&gt;Korven Kuningas&lt;/em&gt;, poema inspirado onde as corredeiras de um rio são uma metáfora para a vida, e as rochas, para as dificuldades e sofrimentos que enfrentamos nela. É interessante registrar, talvez como um paralelo, que o título do disco onde ela aparece quer dizer 'Rei do Rio'. Enfim, recomendo o Korpiklaani a qualquer pessoa que goste de boa música e não tenha preconceitos: é uma banda da qual tanto quem não curte som pesado quanto os "metaleiros" radicais devem passar longe. Pena que não pareça muito provável que os caras nos deem o prazer de vê-los tocar por estas paragens, pois algumas faixas que circulam na internet, gravadas no Wacken Open Air, na Alemanha, demonstram que mandam muitíssimo bem ao vivo, transformando qualquer plateia numa grande taverna... Bem, quem sabe? Surpresas às vezes acontecem. &lt;em&gt;Kippis!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 396px; DISPLAY: block; HEIGHT: 381px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650567180596602322" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-A61KbBorIYI/TmrY6arw5dI/AAAAAAAAAak/9YPK7GCdb_0/s400/korpiklaani.JPG" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2805045922250509947?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2805045922250509947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2805045922250509947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2805045922250509947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2805045922250509947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2011/02/korpiklaani.html' title='Korpiklaani'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-eDI5SNJ-0WE/TmradJFcr1I/AAAAAAAAAa8/aLJVlIYZc4I/s72-c/Karkelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-1548659130464879484</id><published>2011-01-26T20:51:00.000-03:00</published><updated>2011-01-26T22:46:52.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vlad III'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grave Digger'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Drácula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escócia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>The Clans Will Rise Again</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TUBcy-amJQI/AAAAAAAAAUc/kuf47qULi_4/s1600/The%2BClans%2BWill%2BRise%2BAgain.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566551170247697666" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TUBcy-amJQI/AAAAAAAAAUc/kuf47qULi_4/s400/The%2BClans%2BWill%2BRise%2BAgain.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Sou fã de carteirinha do&lt;/span&gt; &lt;a href="http://innerwilderness.blogspot.com/2008/04/maidens-of-war-traduo-livre.html"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Grave Digger&lt;/span&gt; &lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;desde 1998, quando tive meu primeiro contato com a banda através de &lt;em&gt;Knights of the Cross&lt;/em&gt;, então seu mais recente álbum. E não poderia ter tido uma introdução melhor, pois esse disco é um exemplo perfeito das características que eu viria a admirar tanto nessa banda alemã: pesquisa cuidadosa por trás dos temas históricos ou míticos (pois vamos concordar, já tem muita banda de "RPG metal" por aí fazendo letra tosca sobre dragão e espada) e um power metal de alta classe, cujo diferencial é a combinação mortífera de doses cavalares de peso e melodia. Normalmente se considera que, quando uma banda puxa muito num dos dois quesitos, tende a ficar devendo no outro; o Grave Digger é a prova viva de que não precisa ser assim, desde que se tenha o cacife necessário para juntar um peso que lembra uma coluna inteira de tanques de guerra com uma beleza melódica de tirar o fôlego.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;É verdade, para quem até então sempre havia admirado cantores de voz clara e límpida, o vocal rasgadíssimo de Chris Boltendahl exigiu um pouco de tempo para que me acostumasse, mas logo constatei ser impossível não me empolgar com músicas como &lt;em&gt;Baphomet&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Monks of War&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Knights of the Cross&lt;/em&gt; (faixa-título daquele álbum) e &lt;em&gt;Lionheart&lt;/em&gt; - na verdade todas as faixas são matadoras, mas eu tinha que citar algumas. E nos anos seguintes, ao mesmo tempo em que ia adquirindo um a um os trabalhos anteriores, também comprava os álbuns novos logo que eram lançados, e o GD quase sempre manteve o nível, brindando-nos com um álbum magnífico atrás do outro: &lt;em&gt;Excalibur&lt;/em&gt; (1999), &lt;em&gt;The Grave Digger&lt;/em&gt; (2001), &lt;em&gt;Rheingold&lt;/em&gt; (2003 - tive a felicidade de vê-los ao vivo na turnê desse disco), &lt;em&gt;The Last Supper&lt;/em&gt; (2004), &lt;em&gt;Liberty or Death&lt;/em&gt; (2006) e &lt;em&gt;Ballads of a Hangman&lt;/em&gt; (2008), para citar apenas os discos de estúdio, pois houve ainda os ao vivo &lt;em&gt;Tunes of Wacken&lt;/em&gt; (2001) e &lt;em&gt;25 to Live&lt;/em&gt;, gravado em São Paulo, em comemoração aos 25 anos da banda, em 2005. Por fim, no ano passado, Boltendahl e sua gangue trouxeram à luz o que é até o momento seu último "filho": este &lt;em&gt;The Clans Will Rise Again&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;E é na hora em que vou comentar o disco propriamente dito que vejo que não é por ser fã que se pode deixar de ver certos fatos quando eles se apresentam... Primeiramente, o conceito escolhido para o álbum já vem com um sabor de &lt;em&gt;deja vu&lt;/em&gt; - para ser mais direto: de coisa requentada. No que parece uma tentativa de tirar um pouco mais de proveito de um trabalho antigo e bem-sucedido (o tipo de atitude que eu não esperaria do Grave Digger, diga-se de passagem), eles voltaram ao tema dos clãs escoceses e sua luta de séculos pela independência contra os ingleses, o que já haviam abordado em &lt;em&gt;Tunes of War&lt;/em&gt; (1996), disco que deu início à melhor e mais respeitada fase da carreira da banda e trouxe pelo menos duas músicas que se tornariam obrigatórias em todos os shows: &lt;em&gt;Rebellion (The Clans are Marching)&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The Dark of the Sun&lt;/em&gt;. Com tantos temas históricos interessantes ainda esperando ser abordados, não dá para entender o motivo do "bis", a menos que seja mesmo vontade de viver das glórias do passado. Aliás, eu cheguei a mandar um e-mail para o Chris sugerindo a história de&lt;/span&gt; &lt;a href="http://notasdeliteratura.blogspot.com/2010/08/vlad-ultima-confissao.html"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Vlad III da Valáquia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; o vulgo príncipe &lt;a href="http://notasdeliteratura.blogspot.com/2010/03/dracula.html"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Drácula&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, como tema para um disco - tem drama, batalhas grandiosas, carnificina, e a associação do personagem com o famoso vampiro permitiria um delicioso &lt;em&gt;crossover&lt;/em&gt; entre dois climas que o GD sabe explorar como ninguém: o épico medieval e o soturno/sobrenatural (usaram fartamente este último no disco &lt;em&gt;The Grave Digger&lt;/em&gt;, que homenageia Edgar Allan Poe). Ele respondeu no mesmo dia, mas com uma única frase: "Thanx for your idea and kind words. My best - Chris". Não o culpo, afinal fã dando ideia é o que não deve faltar... Mas continuo achando que seria melhor buscar temas inéditos do que apenas tentar sugar um pouco ma&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;is dos que já foram abordados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Que ninguém me entenda mal: &lt;em&gt;The Clans Will Rise Again&lt;/em&gt; não é um disco ruim - longe disso. As interpretações viscerais de Chris e o desempenho irretocável de seus colegas no manuseio de seus respectivos instrumentos fazem dele um trabalho que satisfará plenamente os ouvidos de qualquer apreciador de heavy metal bem tocado. O problema é a sensação de já termos "visto esse filme antes", mais o fato de que falta, aqui, aquele sólido embasamento histórico que era em grande parte o que tornava o &lt;em&gt;Tunes of War&lt;/em&gt; tão interessante, ao menos para mim: cada faixa daquele álbum, além de seu mérito musical, narrava um capítulo da história da Escócia, com um rigor admirável que não tirava em nada a espontaneidade do que estava sendo tocado: &lt;em&gt;Scotland United&lt;/em&gt; falava sobre o início das rebeliões no ano 1018, &lt;em&gt;The Dark of the Sun&lt;/em&gt; era sobre o eclipse solar que serviu de sinal de encorajamento aos escoceses durante uma das mais duras batalhas que travaram, &lt;em&gt;William Wallace (Braveheart)&lt;/em&gt; homenageava o mais famoso herói nacional da Escócia, &lt;em&gt;The Battle of Flodden&lt;/em&gt; era redigida como se fosse a carta de um soldado escocês para sua esposa, narrando essa grande batalha em 1513 e a morte heroica do rei James IV. Coisas da mesma magnitude ficam faltando em &lt;em&gt;The Clans Will Rise Again&lt;/em&gt;, onde quase todas as letras parecem hinos conclamando os escoceses à guerra, e esse papo de "lutar até a morte pela liberdade", "morrer pela Escócia", "reino de aço e sangue" e coisas que tais, embora cause seus arrepios quando colocado num contexto convincente (que era o que acontecia em &lt;em&gt;Tunes of War&lt;/em&gt;) acaba soando tedioso e artificial quando é quase a única coisa de que se fala durante um disco inteiro (que é o que acontece em &lt;em&gt;The Clans Will Rise Again&lt;/em&gt;). Não foi por acaso que a faixa que mais me agradou foi &lt;em&gt;Highland Farewell&lt;/em&gt;, que, temperada por uma interessante melodia céltica em gaita de foles, presta uma homenagem nostálgica às Terras Altas escocesas: "Can’t you hear it? Can’t you see? / Magic islands, haunted hills / Where I live and dwell / Wherever I may wander, wherever I rove / My sunset and my dawn / Highland farewell". Bonito, &lt;em&gt;indeed&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Em suma, este é um disco que os fãs do GD certamente vão comprar e considerar que valeu o investimento - pois, mesmo não estando entre as melhores coisas que eles já fizeram, &lt;em&gt;ainda é&lt;/em&gt; Grave Digger - e que não-fãs apreciadores de metal de qualidade podem ouvir e gostar, sem dar muita atenção às letras, mas definitivamente &lt;em&gt;não é&lt;/em&gt; o álbum que eu recomendaria a um neófito interessado em ser apresentado a essa grande banda de power metal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-1548659130464879484?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/1548659130464879484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=1548659130464879484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/1548659130464879484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/1548659130464879484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2011/01/clans-will-rise-again.html' title='The Clans Will Rise Again'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TUBcy-amJQI/AAAAAAAAAUc/kuf47qULi_4/s72-c/The%2BClans%2BWill%2BRise%2BAgain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-5262301986492539197</id><published>2010-12-25T13:22:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:52:22.503-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='confiança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='disciplina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='promessas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dever'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Promessas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRYbM7iOL-I/AAAAAAAAAT0/wVNDoYvErGY/s1600/Promessa.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 306px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554657099361693666" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRYbM7iOL-I/AAAAAAAAAT0/wVNDoYvErGY/s320/Promessa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Atualizar meus blogs com alguma regularidade sempre foi um problema para mim, e, como acontece com muitos problemas, bastou que eu me mexesse e o enfrentasse de forma séria para a solução acontecer, ao menos com um deles: para minha satisfação, vejo que o&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.notasdeliteratura.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;em&gt;Notas de Literatura&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;tem sido atualizado todo mês, sem falhas, desde fevereiro. A verdade é que assunto para ele nunca faltou, já que estou sempre lendo alguma coisa: era só questão de me determinar a encarar a tarefa de escrever. Já com este &lt;em&gt;Inner Wilderness&lt;/em&gt;, disciplina não basta. Para que um texto capaz de se encaixar aqui nasça, é preciso que haja um "estalo", seja causado por algo que aconteça e me deixe pensando, ou por pensamentos que comecem a rebater dentro da minha cabeça mesmo sem serem impulsionados por qualquer acontecimento específico. E, para completar, todo texto destes nasce com um "estalo", mas não é todo "estalo" que eu tenho que irá gerar um texto. Eis por que este blog, por sua própria natureza, geralmente será atualizado com menos frequência que o outro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;E o que aconteceu desta vez foi a inesperada repercussão causada por meu último post, datando do já distante mês de junho. Como podem ver, recebi três comentários aqui no blog, o que, para os meus padrões, é bastante, e, além disso, outras tantas pessoas o comentaram diretamente comigo. Todas mulheres, se isso for de alguma relevância para o caso. E todas concordaram com alguns pontos, discordaram de outros, sendo que a crítica mais recorrente foi a de que eu havia generalizado demais. E o fiz, reconheço. Em primeiro lugar, porque, ainda que seja crível que existam mulheres que não sejam do modo como as pintei, só posso tomar como base a minha própria experiência - e, embora eu seja o primeiro a desejar que essa experiência tivesse mostrado outra coisa, o fato é que ela mostrou exatamente o que escrevi, e não foi uma nem duas vezes, mas várias. Em segundo, quem escreve sob influência da emoção (qualquer emoção) por vezes não consegue ser tão cordato assim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;De qualquer forma, relendo o texto, percebi uma coisa. Nele, atribuo às mulheres o costume de fazer promessas e descumpri-las, mas, pensando a respeito agora, parece-me que isso não é exclusividade delas: ocorre apenas que, por ser eu um homem, na maioria das situações que já vivi e nas quais ouvi promessas, estas vieram de mulheres. Não quer dizer, necessariamente, que elas cumpram suas promessas menos que os homens - ou, melhor dizendo, não quer dizer que os homens cumpram suas promessas mais do que as mulheres. Talvez a questão não seja de gênero, e sim de cultura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Tive uma educação bastante tradicional (podem chamá-la de &lt;em&gt;antiquada&lt;/em&gt;, se quiserem). Não vou me alongar falando de todos os valores que aprendi e que hoje são considerados pela maioria "papo de velho" ou "coisa de gente chata"; digo apenas que, se eu um dia tiver filhos, espero ser capaz de passar essas coisas a eles e fazê-los entender por que agir como achamos &lt;em&gt;certo&lt;/em&gt; é mais importante do que fazer o que o resto do mundo chama de &lt;em&gt;normal&lt;/em&gt;. E uma coisa que minha mãe uma vez me disse, numa das nossas conversas de antes de dormir, era que, se eu não tivesse certeza de que iria cumprir, não devia prometer, e que, se já tivesse prometido, devia cumprir - mesmo que tivesse que "suar sangue" para isso. Não me lembro o que foi que trouxe o assunto à baila, mas ela usou essas exatas palavras, e eu nunca as esqueci. Mas sei que nem todo mundo teve pais que ensinassem essa lição, e que muitos que os &lt;em&gt;tiveram&lt;/em&gt;, não a assimilaram. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Não que isso sirva para desculpar algo, mas o ser humano é um produto do meio, e não é tradição entre nós, brasileiros, dar grande importância a essas coisas. É comum ouvir ou ler depoimentos de estrangeiros que se viram em situações complicadas por terem levado muito ao pé da letra o que era dito por conterrâneos nossos, e demoraram algum tempo para compreender que agora estavam num país onde é preciso marcar um encontro para o meio-dia se quiserem que ele aconteça até as duas da tarde, e onde &lt;em&gt;sim&lt;/em&gt; quer dizer &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; quer dizer &lt;em&gt;não&lt;/em&gt;. Até acredito que a maioria das pessoas não tenha qualquer intenção maldosa ao não cumprir suas promessas: acontece simplesmente que as esquecem logo após fazê-las, tão pouca importância tem a palavra empenhada no sistema de valores em que foram educadas. Um sujeito com quem eu trocava cartas (sim, sou desse tempo) certa vez expressou numa delas certas opiniões um tanto preconceituosas que me surpreenderam, e, quando as questionei, ele saiu-se com esta: "Cara, você não devia levar tão a sério o que eu escrevo..." Bolas! Então, por que não pensava melhor antes de escrever? Se o cara era assim escrevendo, como não seria falando, sem nada que registrasse suas palavras? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Como já escrevi em&lt;/span&gt; &lt;a href="http://notasdeliteratura.blogspot.com/2008/11/construtores-de-continentes.html"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;outro lugar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;, o grande vício do brasileiro (não creio que seja &lt;em&gt;só&lt;/em&gt; do brasileiro, mas é o exemplo que tenho diante dos olhos) é pensar que os norte-americanos, alemães, ingleses e demais habitantes do assim chamado Primeiro Mundo é que têm o dever de serem íntegros e confiáveis; a ele, brasileiro, só compete ser cordial, alegre, hospitaleiro, caloroso e festivo. Enquanto não deixar de existir na nossa cabeça essa distinção entre as qualidades que se espera de um cidadão de país desenvolvido e as que se espera de um terceiromundista, é muito difícil que o Brasil deixe de ser visto pelo resto do mundo como pouco mais que o país do Carnaval e dono de uma natureza exuberante que não fizemos nada para merecer e da qual, por falar nisso, nem conseguimos cuidar sozinhos. Em outros países, se você promete algo a alguém e não cumpre, fica marcado de tal forma que terá sorte se aquela pessoa algum dia voltar a confiar em você seja para o que for; aqui, uma coisa desse tipo passa batido, quase sem ser notada - a não ser por criaturas anômalas como eu. E um país nada mais é do que a soma das pessoas que vivem nele. Sei que isso é "coisa de gente chata" e "papo de velho", mas será por mera coincidência que esses outros países são respeitados e admirados mundo afora, enquanto nós do Brasil temos que nos contentar com a fama de simpáticos? Que cada um conclua o que quiser. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-5262301986492539197?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/5262301986492539197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=5262301986492539197' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5262301986492539197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5262301986492539197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2010/12/promessas.html' title='Promessas'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRYbM7iOL-I/AAAAAAAAAT0/wVNDoYvErGY/s72-c/Promessa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-5365826830247409008</id><published>2010-06-20T14:40:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:48:51.307-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Olavo Bilac'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lógica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='promessas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Escrevei para entendê-las...</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Seria de se esperar, com base na boa e velha lógica, que um cara que tem uma maioria de amigas, e poucos amigos, como é o caso deste que aqui digita seus confusos pensamentos, tivesse à sua disposição um panorama ilustrativo do universo feminino e melhores condições de entender como funciona a mente (e, muito mais importante, a alma) dessas fascinantes e enlouquecedoras (no bom e no mau sentido) representantes da metade da humanidade dotada de ovários. Acontece que, como em tudo relacionado às mulheres, a lógica simplesmente não funciona nesse caso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Não espero que ajam com perfeita coerência, primeiro porque isso tiraria delas a natureza emotiva que é em grande parte a responsável por torná-las tão interessantes, e, segundo, porque acho que ninguém deveria exigir de outrem algo que também não é capaz de fazer, mas será que mexeria com a ordem do universo se existisse pelo menos &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;uma &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;que não agisse sempre de maneira tão estapafúrdia que, por totalmente imprevisível, acabasse se tornando previsível? (Pois, depois de um certo número de vezes ficando perplexo com os atos delas, você acaba compreendendo que só precisa perguntar-se qual seria a conduta mais absurda e sem sentido imaginável numa determinada situação, e sempre esperar &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;isso &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;delas. E pronto: não será mais pego de surpresa.) Sairiam os planetas de suas órbitas se porventura aparecesse uma única mulher que sentisse ao menos um pequeno desconforto cada vez que fizesse uma promessa solene para depois não a cumprir, em vez de aparentemente considerar isso uma prerrogativa de seu sexo? Ou que, antes de fazer promessas, tirasse um instante para se perguntar se iria ou não cumpri-las e, em caso negativo, não prometesse?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Quando eu tinha uns 13 anos, apareceu no meio da minha turma da escola uma publicação muito interessante que circulou de mão em mão, apenas entre os garotos - não, não era revista de sacanagem. Tratava-se de um livrinho que se propunha a ensinar macetes de como conquistar as garotas. Pouco lembro do que li nele, e o que lembro me parece, hoje em dia, ser um apanhado de coisas que não iam muito além do simples bom senso (não que, naquela idade, nós tivéssemos algum). Mas lembro que o livro era salpicado de frases de efeito, e, como na época eu já era maníaco por citações, algumas me ficaram na memória. Uma delas dizia que as mulheres são tanto melhor amadas quanto pior compreendidas. Só muitos anos depois é que eu fui perceber toda a verdade que existe por trás desse pequeno e aparentemente absurdo aforismo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Pois a verdade, meus caros (e agora dirijo-me aos meus colegas usuários de Prestobarba) é que as meninas não querem ser compreendidas. Ou melhor, até querem, mas só pelos amigos. Não se esforce para entendê-las: de qualquer forma, é pouco provável que consiga, e, se conseguir, isso só fará com que elas deixem de vê-lo como um ente masculino - você vai virar um amigo, e, para a mulher, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;amigo &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;é um ser assexuado. Um homem pode vir a apaixonar-se por uma amiga, mas nunca o contrário: para uma mulher, a partir do momento em que ela passar a te considerar um amigo, qualquer possibilidade de algo mais definitivamente morreu. Para nós, a companheira desejada é uma em quem confiemos; para elas, nada existe de mais antiafrodisíaco que confiança. Isso é o que faz o cara cafajeste tão irresistível e o sincero tão sem graça. Pessoalmente, penso que a namorada, companheira, amante, esposa adequada (e notem que eu não disse "ideal", pois isso não existe) seria aquela que, além de ser todas essas coisas, fosse também minha melhor amiga, a pessoa que tivesse prioridades e interesses semelhantes aos meus, que desse importância às mesmas coisas que eu, com quem eu pudesse conversar sobre tudo, de quem eu não guardasse nenhum segredo, cuja companhia eu achasse mais divertida que a de qualquer "mano", e que me entendesse. Já para as garotas, parece ser impossível conciliar romance e sexo com esse tipo de cumplicidade: para elas, as duas áreas são incomunicáveis. Não se misturam, são água e óleo. Um cara é para namorar e transar, outro é para conversar, fazer coisas juntos, trocar desabafos, dar apoio. Os dois são necessários, mas não podem ser a mesma pessoa: um que sirva no primeiro campo fica inelegível para o segundo, e vice-versa. Assim funciona a cabeça feminina - detalhes ou motivos, eu não sei. Acho que elas também não.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Num de seus mais belos poemas, o grande Olavo Bilac diz que "ouve estrelas", e finaliza assim: "Direis agora: 'Tresloucado amigo! / Que conversas com elas? Que sentido / Tem o que dizem, quando estão contigo?' / E eu vos direi: 'Amai para entendê-las! / Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas.'" Não sei até que ponto amar pode ajudar a entender seja o que for, e uma das vantagens de ser poeta é estar dispensado de ser fiel aos fatos (é a famigerada "licença poética"), mas, num primeiro momento, pareceu-me que escrever a respeito - já que escrever sempre me ajuda a organizar os pensamentos - poderia me fazer chegar um pouco mais perto de entender esses seres maravilhosos e enfurecedores chamados mulheres. Ledo engano: entendê-las não é possível, e, se o fosse, não serviria para nada. Compreendidas ou não, elas continuariam prometendo e não cumprindo, desejando coisas e temendo-as ao mesmo tempo, buscando seus sonhos com persistência e coragem que nós homens nunca conseguiríamos igualar e, ao se verem cara a cara com a possibilidade da realização do sonho, virando as costas e fugindo. De qualquer forma, as estrelas, apesar de "femininas", são interlocutoras bem mais acessíveis!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-5365826830247409008?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/5365826830247409008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=5365826830247409008' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5365826830247409008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5365826830247409008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2010/06/escrevei-para-entende-las.html' title='Escrevei para entendê-las...'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-7632340887221466858</id><published>2010-06-03T01:41:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:46:40.194-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rainbow'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ritchie Blackmore'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock&apos;n&apos;roll'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ronnie James Dio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Black Sabbath'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Segunda Guerra Mundial'/><title type='text'>Adeus ao Mestre</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TBqHX3N7tbI/AAAAAAAAANg/3Vlb_kfcvlM/s1600/Ronnie+James+Dio+002.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 210px; FLOAT: left; HEIGHT: 315px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483844340306130354" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TBqHX3N7tbI/AAAAAAAAANg/3Vlb_kfcvlM/s320/Ronnie+James+Dio+002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Já faz um certo tempo que deixei de acreditar naquele lugar-comum de que "nada é por acaso"; embora inegavelmente confortador, esse surrado aforismo simplesmente não encontra sustentação nos fatos. Porém, há uma outra frase que, bem menos repisada, continua a me parecer que tem chances de ser verdadeira. Esta diz que "tudo acaba onde começou". Pois foi meu irmão, a mesma pessoa que, há mais de 20 anos, me apresentou a admirável música de Ronnie James Dio, quem me deu, na sexta-feira, 21 de maio, a notícia de que o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;golden voice&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; havia falecido cinco dias antes, no domingo, 16 - ele comentou o fato comigo quando cheguei em casa na noite de sexta, depois de, como de costume, passar a semana fora a trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Dio faria 68 anos agora em julho. Nascido em meio à tensão da Segunda Guerra Mundial, foi testemunha ocular do surgimento do rock’n’roll, que coincidiu aproximadamente com sua adolescência. Ao longo de uma carreira de quase 50 anos, viu e fez muita coisa, sendo que, durante as últimas três décadas e meia, esteve entre os principais responsáveis pelos grandes feitos praticados por nada menos que três das maiores bandas de toda a história do som pesado. Primeiro, no Rainbow, onde sua curta mas inspiradíssima parceria com o grande guitarrista Ritchie Blackmore produziu, durante cerca de três anos, um generoso punhado das coisas mais pungentemente belas que já ouvi: a simples menção de títulos como &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Catch the Rainbow&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Snake Charmer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Sixteenth Century Greensleeves&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Tarot Woman&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Stargazer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Gates of Babylon&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Lady of the Lake&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; atinge como flechas o coração de qualquer um que conheça essas músicas. Mais tarde, foi a vez do Black Sabbath, onde a entrada de Dio calou a boca dos que achavam que a saída de Ozzy Osbourne seria o fim da banda (aliás, sem tirar o valor de Ozzy, sempre preferi Dio, um cantor que dava mais importância à música e menos ao &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;showmanship&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, fora o fato de eu achar sua voz incomparavelmente mais bonita e de sua técnica ser indiscutivelmente superior). Por fim, Dio teve sua própria banda, que levou seu nome, e nela conseguiu mostrar que o peso do heavy metal, alimentado por sua voz incomparável e pelos solos únicos e empolgantes do jovem guitarrista irlandês Vivian Campbell, sem falar da participação de vários outros músicos extraordinários, envolvendo letras oníricas e inspirativas, por vezes de uma profundidade atordoante, podia impulsionar os sonhos de muita gente. Nos últimos tempos, novamente ao lado dos companheiros do Black Sabbath, embora com o nome Heaven and Hell, gravou dois discos excelentes e criou altas expectativas em todos os seus fãs... Expectativas que terminaram de repente em 16 de maio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Tive a felicidade de estar presente em dois shows de Dio com sua banda própria - um em Porto Alegre, em 2001, e outro em São Paulo, em 2006. E afirmo que ele &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;foi mais do que apenas um cantor formidável (embora eu não consiga pensar em nenhum outro vocalista de metal que sequer chegue perto dele) e um excelente letrista e compositor. Soube ser tudo isso à sua própria maneira, construiu sua própria lenda talvez sem perceber que estava fazendo isso: como um bardo medieval, falava à imaginação de quem o ouvia, e mexia com emoções que, uma vez postas em movimento, faziam de quem ouvia sua música uma pessoa diferente - se a música fosse ouvida do jeito certo, que não pode ser expresso com palavras. Dio fazia-nos ver que existe magia em lugares onde pessoas comuns não a enxergam. Como ele dizia, olhar para um arco-íris e não sentir nada é já estar morto. Não com seu discurso, mas com sua música (pois, ao contrário de outros astros de rock, Dio nunca foi de fazer discursos messiânicos), aprendi que sonhar é necessário, e que o mais importante não é se é possível ou não que nossos sonhos se realizem - pelo simples fato de existir, o sonho nos modifica para melhor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Descanse em paz, Ronnie James Dio. Seu coração sagrado continuará a ser para nós como um arco-íris na escuridão.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ff0000;"&gt;Sacred Heart &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;(Dio/Appice/Bain/Campbell) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;The old ones speak of winter&lt;br /&gt;The young ones praise the sun&lt;br /&gt;And time just slips away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Running into nowhere&lt;br /&gt;Turning like a wheel&lt;br /&gt;And a year becomes a day&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Whenever we dream&lt;br /&gt;That's when we fly&lt;br /&gt;So here is a dream&lt;br /&gt;For just you and I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We'll find the Sacred Heart&lt;br /&gt;Somewhere bleeding in the night&lt;br /&gt;Look for the light&lt;br /&gt;And find the Sacred Heart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here we see the wizard&lt;br /&gt;Staring through the glass&lt;br /&gt;And he's pointing right at you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Now you can see tomorrow&lt;br /&gt;The answer and the lie&lt;br /&gt;And the things you've got to do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, sometimes you never fall&lt;br /&gt;And ah - You're the lucky one&lt;br /&gt;But oh - Sometimes you want it all&lt;br /&gt;You've got to reach for the sun&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And find the Sacred Heart&lt;br /&gt;Somewhere bleeding in the night&lt;br /&gt;Oh look to the light&lt;br /&gt;You fight to kill the dragon&lt;br /&gt;And bargain with the beast&lt;br /&gt;And sail into a sight&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You run along the rainbow&lt;br /&gt;And never leave the ground&lt;br /&gt;And still you don't know why&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Whenever you dream&lt;br /&gt;You're holding the key&lt;br /&gt;It opens the door&lt;br /&gt;To let you be free&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And find the Sacred Heart&lt;br /&gt;Somewhere bleeding in the night&lt;br /&gt;Run for the light&lt;br /&gt;And you'll find the Sacred Heart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A shout comes from the wizard&lt;br /&gt;The sky begins to crack&lt;br /&gt;And he's looking right at you - Quick&lt;br /&gt;Run along the rainbow&lt;br /&gt;Before it turns to black - Attack&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-7632340887221466858?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/7632340887221466858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=7632340887221466858' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7632340887221466858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7632340887221466858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2010/06/adeus-ao-mestre.html' title='Adeus ao Mestre'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TBqHX3N7tbI/AAAAAAAAANg/3Vlb_kfcvlM/s72-c/Ronnie+James+Dio+002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-7667455447447750684</id><published>2010-01-20T13:26:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:41:47.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gratidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='redes sociais'/><title type='text'>Gratidão II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Nunca me atraiu a tendência "olha eu aqui" que parece nortear a atitude da maioria das pessoas no que se refere à internet - prova disso é que ainda hoje, em pleno ano de 2010, continuo a manter uma distância segura de Twitters, MySpaces e seus parentes (o orkut eu até tangenciei, mas deve fazer uns dois anos que não vou lá). Irrita-me a ansiedade inexplicável da vasta maioria dos usuários dessas redes em compartilhar não ideias, conhecimento ou qualquer outra coisa de relevante, e sim com quem "ficaram" na festa tal ou o fato de terem mudado o corte do pelo do cachorrinho. São coisas que eu simplesmente não quero saber, e reservo-me o direito de não querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criei este blog, no fim de 2007, depois de três anos tocando o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://notasdeliteratura.blogspot.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ff6666;"&gt;Notas de Literatura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;, foi com a ideia de postar textos inspirados por meus próprios pensamentos, sem necessariamente estarem vinculados a livros ou filmes. Sempre que possível, faria isso sem entrar em detalhes sobre o evento da minha vida pessoal que porventura houvesse inspirado o pensamento, justamente para não me igualar aos "seres" que acabo de "escovar" no parágrafo anterior. Só que há momentos na vida em que as circunstâncias, sem pedir licença, simplesmente mandam para o espaço até mesmo as nossas mais enérgicas resoluções, obrigando-nos a fazer precisamente o que havíamos decidido não fazer. Então, vamos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É irônico que, tão pouco tempo depois de escrever um texto sobre gratidão - aquele, não inspirado por nada em especial -, eu seja trazido de volta ao assunto, desta vez por motivos bem concretos. Para limitar ao mínimo possível as referências à minha vida pessoal, e também para não me alongar rememorando coisas desagradáveis, direi apenas que, na tarde de 05 de janeiro, de maneira mais ou menos repentina, comecei a sentir fortes dores abdominais, eventualmente identificadas como sintoma de uma apendicite, doença que uma pessoa de sorte pode morrer velha sem ter, mas que não escolhe idade: tive-a aos 35 anos, como poderia ter sido aos sete, aos 18 ou aos 60. Fui hospitalizado, submetido à cirurgia adequada, e então passei por uma convalescença que, mesmo rápida, deu-me, pela primeira vez na vida, a compreensão do que é estar com uma doença realmente incapacitante - e do que é gradualmente se recuperar dela, retomando aos poucos o contato com coisas que, no dia-a-dia, temos o mau costume de ver como "normais". Voltarei a falar nisso e em algumas das suas implicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma bem previsível, minha maior dívida de gratidão em todo esse episódio é para com minha mãe, que permaneceu ao meu lado praticamente o tempo todo, zelando de todas as formas para que eu ficasse bem, ou tão bem quanto possível naquelas circunstâncias, lembrando-se de uma longa série de detalhes práticos nos quais eu dificilmente teria pensado, e, mais importante ainda, permitindo-me o conforto de sua companhia, o que foi especialmente precioso nos terríveis dias imediatamente após a cirurgia, quando a medicação pesada me mantinha num permanente mal-estar físico, com as inevitáveis consequências sobre o meu estado de espírito. Como, ao contrário da maioria das pessoas, não tenho nenhuma dificuldade para externar sentimentos, nem acho constrangedor fazê-lo (não invoco nenhum mérito pessoal nisso: simplesmente me considero com sorte por ser assim), já agradeci de viva voz, pessoalmente, e com a ênfase devida, mas, como não parece certo contar a história sem mencionar novamente a minha gratidão, aqui está: muito obrigado, mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço, também, ao médico e à equipe do hospital que cuidaram de mim. Graças e eles, estou aqui, novamente de pé e pronto para outra (não outra apendicite, que, pelo que sei, e graças a Deus, não se tem duas vezes! Espero jamais passar por nada de semelhante de novo). Apesar do aquecimento global, das profecias maias e do &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;, também me sinto grato por viver no século XXI, quando a tecnologia médica disponível permitiu que tudo fosse feito sem nenhuma grande incisão, o que se traduz num restabelecimento rápido e praticamente nenhuma cicatriz. Bem diferente do que era uma operação desse tipo meros 20 ou 30 anos atrás, já pensaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um agradecimento também ao Samir Velleda Pacheco, que, de mero conhecido cordial que era até agora, passa a integrar a restritíssima lista das pessoas que considero meus amigos - e quem me conhece sabe que nunca uso essa palavra no seu sentido orkútico: para mim, amigo é &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;amigo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;. E não dá para considerar menos que isso uma pessoa que faz por outra o que esse cara fez por mim. Valeu, Samir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço, ainda, aos meus colegas de trabalho, que, mesmo com a equipe já reduzida nessa época de férias, desdobraram-se heroicamente para cobrir mais essa baixa inesperada, além de me darem bem-humoradas injeções de ânimo por telefone em diversos momentos. Obrigado, pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero terminar falando de outro tipo de gratidão, a que experimentei ao ter de volta uma série de pequenas coisas que (percebo agora) de pequenas não têm nada. Eu experimentei dor numa escala, para mim, inédita, e, o que é mais, dor constante, persistente, que durante alguns dias me impediu de coisas como relaxar e dormir. Uma vez livre disso, e impossível não se perguntar como é que geralmente não nos damos conta da delícia indescritível que é poder deitar, respirar fundo e relaxar, sem sentir nenhuma dor ou incômodo, nenhum enjôo causado por remédios, nada. Como não percebemos a bênção que é uma boa e tranquila noite de sono, na posição que mais nos agrade, sem a preocupação de não deitar sobre o lado direito? Nunca vou esquecer o primeiro copo d'água que me deram, depois de quase dois dias sem poder ingerir coisa alguma. Cada copo d'água que eu beber de agora em diante vai me lembrar disso, e será mais apreciado que qualquer vinho raro. E o que dizer da minha maravilhosa cama, depois de ter experimentado cama de hospital - uma estrutura em cima da qual a gente tem a sensação de estar sempre se equilibrando, pois não parece algo projetado para que uma pessoa se deite com um mínimo de conforto? Podem apostar que de agora em diante prezarei muito mais todas essas coisas e outras semelhantes, e me lembrarei com mais frequência de reclamar menos e agradecer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, embora a impressão que tenho seja de que esse período de tratamento demorou meses, vejo que tudo se deu em meras duas semanas, o que significa que o ano está só começando. E, de repente, ele me parece cheio de possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-7667455447447750684?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/7667455447447750684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=7667455447447750684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7667455447447750684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7667455447447750684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2010/01/gratidao-ii.html' title='Gratidão II'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-1743661874585043928</id><published>2009-12-19T21:31:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:39:10.823-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gratidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dinheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ser humano'/><title type='text'>Gratidão</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sy14EMUPTOI/AAAAAAAAALg/djUNgjmAZlw/s1600-h/P%C3%B4r-do-Sol+na+Praia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417117940217498850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sy14EMUPTOI/AAAAAAAAALg/djUNgjmAZlw/s320/P%C3%B4r-do-Sol+na+Praia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;É interessante como os sentimentos mais legais que nós, seres humanos, experimentamos em nossas efêmeras existências são (coincidência ou não) justamente aqueles que é mais importante e relevante dar do que receber. E talvez a nenhum outro sentimento isso se aplique melhor do que ao da gratidão. Não que não seja maravilhoso receber uma manifestação &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;sincera&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; de gratidão de outra pessoa, mas esse é realmente um sentimento que faz um bem muito maior a quem o experimenta do que a quem é dirigido, o que me leva a suspeitar que a gratidão talvez seja a contraparte positiva do ódio - este, como dizia um verso de uma música que ouvi certa vez, é "o veneno que um toma, querendo que o outro morra". A música não era grande coisa e não lembro ou nunca soube quem a cantava, mas só por trazer esse verso ela já merece ser poupada do limbo do esquecimento que é o destino fatal de 99 por cento de todos os pop-rocks de FM. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Um bom começo para tentar explicar o que quero dizer é aquela gratidão que não se destina a pessoas, e sim a Deus, ou a qualquer poder superior no qual a pessoa acredite - e talvez quem não acredita em nada disso sinta-se grato ao acaso, mesmo que essa ideia pareça um tanto sem sentido. Não vou dizer que estou cem por cento satisfeito com a vida que levo - estaria bem mais contente se pudesse ganhar a vida escrevendo ou ensinando, ao invés de me dedicar a serviços burocráticos, por mais que esteja ciente da importância do que faço -, mas fico grato, sim, quando, no meu trajeto a pé para o trabalho pela manhã, passo por alguns sujeitos de camiseta azul que também se dirigem ao trabalho, sendo que o deles, numa grande indústria aqui da cidade, é braçal e paga um quarto do que eu ganho. Talvez esses caras não tenham tido a chance de estudar, ou talvez tenham tido a chance e tenham tido preguiça, tanto faz; minha gratidão é por ter tido a chance e também a vontade, pois as duas coisas foram necessárias para que eu chegasse a ter o que tenho hoje. Não me sinto realizado, mas não tenho nenhuma preocupação material. Pode parecer excessivamente pragmático vindo de alguém que se considera um idealista, mas botar a cabeça no travesseiro à noite e poder dormir sem ficar pensando se vai ou não conseguir fechar as contas no fim do mês também tem seu valor. É algo pelo qual não é descabido ser grato. Além disso, o dinheiro que ganho vai um dia pagar o meu curso de mestrado, que poderá ser uma chance de mudar de vida - uma chance que os tais caras de camiseta azul talvez nunca tenham. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Refletir sobre tudo isso e sentir que tenho pelo que agradecer faz bem. Não a Deus: não creio que faça diferença para Ele. Mas faz bem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;a mim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Fico pensando, também, na ideia mais ou menos generalizada de que um gesto que haja demandado sacrifício de quem o fez é mais merecedor de gratidão do que um que tenha sido espontâneo, natural. Talvez seja mais merecedor, mas deve haver um motivo qualquer na complexa natureza humana para que as coisas pelas quais mais facilmente nos sentimos gratos sejam aquelas feitas quase sem perceber pela outra pessoa. Um gesto de amizade sincera (aliás, "amizade sincera" é redundância: se não for sincera, não é amizade) é sempre espontâneo, gratuito, feito por prazer, e, no entanto, que gratidão desperta! Um momento agradável que se partilha fazendo seja o que for, uma boa conversa, um desabafo feito ou ouvido, algumas lágrimas nossas no ombro de um amigo, ou as dele no nosso - tanto faz. Quando a amizade é verdadeira, tudo isso tem o mesmo valor. Eu fico grato a um amigo que está sempre disponível para me ouvir quando preciso, mas fico igualmente grato quando ele, ao precisar que alguém o ouça, procura por mim. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Por fim, acredito que a gratidão é algo que deve ser oferecido e aceito alegremente, mas não é algo que se deva procurar - não se deve fazer coisa alguma esperando gratidão. E isso não apenas por causa do nobre princípio cristão da bondade desinteressada, que não espera recompensas: há um motivo bem mais prático, que é o simples fato de que, na maioria das vezes, quem espera por gratidão se decepciona. A gratidão vem quase sempre quando e de onde não se espera. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-1743661874585043928?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/1743661874585043928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=1743661874585043928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/1743661874585043928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/1743661874585043928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/12/gratidao.html' title='Gratidão'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sy14EMUPTOI/AAAAAAAAALg/djUNgjmAZlw/s72-c/P%C3%B4r-do-Sol+na+Praia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2017908690663604316</id><published>2009-11-24T21:45:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:36:04.737-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luís Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Big Brother'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Andy Warhol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vulgaridade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O tempora! O mores!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Confesso que sempre achei difícil me manter informado até mesmo sobre as coisas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;importantes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; da atualidade. Imagino que a maioria dos membros da casta marginalizada dos apaixonados por literatura enfrentem o mesmo problema: sentar e ler um jornal de cabo a rabo só é tarefa exequível para quem desconhece o canto de sereia de um bom romance. O leitor entusiasta, quando encontra um tempo livre no seu dia, quer logo voltar ao livro que estava lendo na véspera, ou começar aquele outro que parece tão empolgante, e, como, com poucas exceções, o tempo não é um recurso abundante para ninguém nestes dias, é preciso fazer uma opção. Resultado: acabo lendo, do jornal, somente aquilo que, após uma rápida análise preliminar, me parece realmente &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;essencial&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;. Quem quiser pode me chamar de alienado, mas, se eu o for, ao menos posso dizer que estou em excelente companhia: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;"Para que vou gastar uma hora do meu dia lendo coisas que amanhã não vão valer mais nada? (…) Um jornal é lido para ser esquecido. Já o livro é lido para eternizar a memória."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; (Jorge Luis Borges) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Sim, o Borges! Depois disso, receberei a pecha de "alienado" como um elogio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Se eu já suo para me manter atualizado sobre as coisas importantes, não seria uma manchete do tipo &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Universitária expulsa da faculdade por causa do comprimento do vestido&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; que iria me motivar a clicar num link do Yahoo Notícias e gastar preciosos minutos me inteirando dos detalhes. Porém, como acontece com muitas das demais vulgaridades e insignificâncias que tanto fascinam a maioria (e, por isso, são pautas preferidas pelos meios de comunicação), essa história acabou por me atropelar independentemente da minha vontade, forçando-me a formar uma opinião sobre o caso. Não que eu ache que minha opinião vá interessar a alguém - pois, para ser franco, também não ligo a mínima para o que os outros porventura pensem sobre coisas desse naipe -, mas, como a coisa em si é apenas a ponta de um iceberg que pode, ele sim, merecer nossa atenção (e nossa preocupação), então vá lá. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Primeiro de tudo, quero deixar algo claro: as polegadas de pano a mais ou a menos no vestido (ou que nome tenha aquela peça de vestuário) da tal estudante não são a coisa mais importante aqui. Pelo que me toca, ela poderia ir para a faculdade usando apenas um par de brincos de camelô, e isso seria um problema só dela. Claro que provavelmente seria presa por conduta obscena, atentado ao pudor ou outro termo jurídico similar, mas isso &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;também&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; seria problema só dela, e não me faria nem levantar os olhos do meu livro para prestar atenção a qualquer comentário feito a respeito do ocorrido. A conduta intolerante demonstrada pelos colegas da tal moça é de fato preocupante, mas também não é o meu foco aqui. O que me deixa abismado é ver o quanto o valor das coisas, a noção do que é ou não digno de atenção ou admiração, está não só distorcida, mas despedaçada nessa sociedade que extremamente a contragosto temos que chamar de "nossa" sociedade, e nessa "cultura" que eu reluto em chamar assim, porque para mim &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;cultura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; significa outra coisa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A estudante passou por uma situação constrangedora, teve alguns de seus direitos humanos mais básicos desrespeitados, e por isso mereceria, em princípio, toda a nossa solidariedade e apoio. Deve ser horrível, depois de passar por tais coisas, ainda sofrer tanta exposição indesejada... Hum... Indesejada? Aí já começo a ter dúvidas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Pelo andar da carruagem, daqui a um mês ou dois ela estará na capa da &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Playboy&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;. Depois virão zilhões de entrevistas nos mais diversos programas de TV, desde o da Luciana Gimenez (não esperem que eu saiba o nome do programa) até o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Globo Rural&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, então um convite para participar do próximo &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Big Brother&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, um site oficial que os fãs em dois tempos entupirão com mensagens do tipo "adimiro (sic) demais seu trabalho" (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Trabalho?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; Que trabalho??) e por fim seu próprio programa de variedades na TV, que a moça apresentará, provavelmente, sem ter o menor cacoete para a coisa, mas tudo bem, pois isso, metade das pessoas que estão atualmente apresentando programas de TV também não têm. Tudo (inclusive as fotos como veio ao mundo e a participação naquele verdadeiro tratado da baixaria que é o BBB) sempre dando-se ares de moça de família, pois, afinal, tem um filho pequeno... Sua fama não durará mais que os proverbiais 15 minutos de Andy Warhol, é claro, mas já é muito mais do que sua real importância justificaria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Isso tudo me leva à pergunta: o que podemos esperar de uma sociedade onde o escândalo (que uns procuram, outros aproveitam quando ele lhes cai no colo, mas é sempre escândalo) virou um dos caminhos mais curtos para a fama, a riqueza e a admiração de milhões? Como é que se vai educar uma filha ensinando-a a ter respeito por si e pelos outros, a estudar para ter mérito pessoal e um ganha-pão honesto, quando essa é a imagem de uma "mulher de sucesso" que a mídia oferece? Quando, onde foi que perdemos completamente a capacidade de distinguir entre o relevante e o espúrio? O momento exato é impossível de determinar e não é realmente importante. A causa, essa não é difícil de descobrir: quando não se tem qualquer ideal, objetivo ou referência de valores para nortear a vida, cria-se um vazio, que, como dizia Aristóteles, tem a tendência de se preencher com alguma coisa. E, se tudo o que o meio circundante oferece são futilidades e idiotices, então sinto muito, meus caros, mas é com isso que nossas próximas gerações irão ocupar seus cérebros, suas almas e suas vidas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2017908690663604316?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2017908690663604316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2017908690663604316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2017908690663604316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2017908690663604316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/11/o-tempora-o-mores.html' title='O tempora! O mores!'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-4720458432735103928</id><published>2009-10-21T11:43:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:30:36.149-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noite de sábado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Richard Bach'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luís Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Porto Alegre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>As Estantes Infinitas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/St8ejrqzNnI/AAAAAAAAAK4/n3ElIEbmL1o/s1600-h/biblioteca-di-bella-arti-milan-italy1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 253px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395064476979639922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/St8ejrqzNnI/AAAAAAAAAK4/n3ElIEbmL1o/s320/biblioteca-di-bella-arti-milan-italy1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Acabava de ocupar meu assento no ônibus intermunicipal para a costumeira viagem de uma hora e meia que, para mim, marca o fim do fim de semana (fim do fim?... Hum, deixa pra lá, sei que vocês entenderam) e, como sempre faço nesses momentos, abri minha mochila para ligar o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;discman&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt; e pôr os fones nos ouvidos - só que aí percebi que tinha esquecido em casa os meus fones especiais com isolamento acústico. Com um aflito “Oh, não!” em pensamento, abri o bolso frontal da mochila na esperança de achar ao menos um daqueles fonezinhos vagabundos que vêm com os MP3-players e que costumo levar como reserva - mas nem isso encontrei. Resignado, acomodei-me para passar os 90 e poucos minutos seguintes sem ouvir música e, o que é pior, tendo que ouvir as conversas dos outros passageiros, coisa da qual não faço a menor questão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Há sempre a possibilidade de se estar enganado e de que eu fosse brindado com um delicioso silêncio quebrado apenas pelo ronco distante do motor do ônibus, mas foi questão de minutos que certa senhora que sempre viaja junto comigo começasse a sua algaravia. Ela tem um tipo de voz que sempre me perguntei como poderia descrever se precisasse, mas nunca tinha achado a palavra até aquele momento, quando então a palavra, repentinamente, se apresentou por si mesma: era o que um romancista definiria como uma voz “asmática”. E começou a voz asmática da tal senhora a falar com alguém sentado ao lado dela sobre o estado lastimável em que estavam suas unhas, por ter passado o fim de semana arredando geladeira, armário e outros objetos pesados. Céus, o que eu não teria dado naquele momento para estar ouvindo qualquer coisa do grande Deep Purple. Mas, na presente situação, o que me restava era tentar abstrair. De modo que me transportei de volta para a noite da véspera. Uma noite de sábado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;O cenário era o shopping Praia de Belas, onde eu e a menina que estava comigo chegamos depois de uma longa e agradável caminhada de fim de tarde regada a conversa pela orla do Guaíba, começando na Usina do Gasômetro. Mais exatamente, o cenário era um lugar específico do shopping, a Saraiva Megastore, onde inevitavelmente acabamos, depois de um bom jantar e de um &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;excelente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt; chocolate quente na lojinha da Kopenhagen. Entrar lá e andar por entre todas aquelas estantes, sentindo o ar carregado com o cheiro de papel novo e tinta, sempre me pareceu uma experiência profundamente sensual e um tanto mística, algo que só quem viveu em estreita simbiose com os livros durante toda a vida (ou, ao menos, durante muitos anos) pode chegar a compreender. Mesmo na época em que raramente podia comprar algum livro, eu gostava de ir lá, percorrer com olhos sonhadores aquele mar de lombadas, pegar ao acaso um livro que chamasse a atenção pelo título, ou sobre cujo autor eu soubesse um pouco... Hoje, então, que não preciso mais passar a privação de sair de lá sem levar alguma coisa, a visita a tal lugar tornou-se ainda mais agradável.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;A moça, que também é uma leitora inveterada (não saio com quem não seja: podem desistir) comentou, com palavras ligeiramente diferentes, sobre o “garimpo” que é encontrar, no meio de todos aqueles livros, um que nos agrade e vá nos proporcionar longas horas de prazer e, possivelmente, nos ensinar coisas interessantes. Concordei, e fui mais além: é um tanto aflitivo pensar que ali, no meio de milhares de livros, pode haver um ou alguns que, se os lêssemos, poderiam operar mudanças importantes em nossas vidas - pois há livros que têm esse poder. Houve livros que me chamaram a atenção logo que os tive diante dos olhos; por outros eu não teria dado nada a princípio, mas, por uma ou outra razão, comecei a lê-los e não me arrependi. Como saber quantos e quais, entre aquelas fileiras intermináveis de livros, são aqueles dos quais eu inesperadamente iria gostar, mesmo não sendo de autores que eu recomendaria, nem sendo dos gêneros que normalmente prefiro? Cara, isso &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;é &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;aflitivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;E uma ideia leva a outra, é claro. Richard Bach escreveu: “Mesmo com todos os livros que já temos, ainda há tantos por escrever!” E há. As estantes físicas têm espaço limitado, mas, ainda que o mundo inteiro ficasse coberto de livros, mesmo assim não poderíamos pensar que tudo já teria sido dito. Como o discípulo de um mestre zen aprendendo que sua educação jamais estará completa, sou levado à conclusão de que o legado cultural da humanidade continuará para sempre em construção. E todos fazemos parte disso - até mesmo, querendo ou não, quem não lê. A diferença é que ler, refletir, interligar, construir sua própria cultura, é assumir um papel de protagonista nesse processo, ao invés de mero figurante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Teria sido tudo efeito do chocolate? Se me atrevesse a tanto, eu escreveria um ensaio borgeano (referência a Jorge Luís Borges) sobre “a esmagadora infinitude das estantes imaginárias”. Talvez, lá na pontinha de uma dessas estantes (o que é contraditório, pois, se é infinita, não tem pontinha) houvesse um lugar para mais esse livro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-4720458432735103928?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/4720458432735103928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=4720458432735103928' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4720458432735103928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4720458432735103928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/10/as-estantes-infinitas.html' title='As Estantes Infinitas'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/St8ejrqzNnI/AAAAAAAAAK4/n3ElIEbmL1o/s72-c/biblioteca-di-bella-arti-milan-italy1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-7723157314605243937</id><published>2009-07-14T19:01:00.000-03:00</published><updated>2011-01-01T19:02:12.664-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guimarães Rosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comunicação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='celular'/><title type='text'>Comunicação</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sl0DKx3vRJI/AAAAAAAAAKI/S-fgb4V0SfY/s1600-h/celular.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358442615361455250" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sl0DKx3vRJI/AAAAAAAAAKI/S-fgb4V0SfY/s320/celular.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;"Que arriscado e conturbante é a gente se tirar das solidões fortificadas!" (Guimarães Rosa)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;Homens como Samuel Morse, inventor do telégrafo, Alexander Graham Bell, que desenvolveu o telefone, e tantos outros que devotaram seu gênio e seu suor a facilitar a comunicação entre os seres humanos, ficariam atônitos se voltassem ao mundo nos dias de hoje e pudessem ver como as coisas são agora. Hoje, quase todo mundo anda com um aparelhinho de bolso por meio do qual pode ser encontrado a qualquer momento e quase em qualquer lugar. Textos, imagens, músicas e vídeos podem ser enviados de um lado a outro do globo de forma instantânea e sem custo algum. Não há mais o menor perigo de duas pessoas perderem o contato, estejam onde estiverem. Sentado aqui, à minha mesa de trabalho, numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, posso contatar meus amigos de São Paulo, da Itália ou do Japão, sem ao menos precisar tirar a bunda do assento. Sim, são coisas espantosas e maravilhosas, se pararmos para pensar por um instante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O que é tristemente irônico é que toda essa facilidade de nos comunicarmos não parece estar contribuindo para aproximar as pessoas. A não ser em casos raros e específicos, parece ocorrer o contrário: esses novos aparatos nos soterram sob avalanches de informação sem sentido que acaba gerando apatia, e nos colocam em contato superficial com multidões de pessoas - impedindo um contato profundo com qualquer uma delas. A caixa de entrada de meu e-mail do trabalho é bombardeada diariamente com 20 a 30 mensagens, a maioria trazendo anexos enormes, contendo instruções, relatórios, normativos, notícias, estatísticas e sabe Deus o que mais, enviadas por diferentes setores da instituição para todos os nomes de uma imensa lista da qual, infelizmente, eu faço parte. Nunca vou ler isso tudo, a menos que deixe de trabalhar para cuidar só do e-mail, mas alguém pensa nisso antes de me mandar arquivos em PDF com 30, 40 páginas? O MSN virou uma ferramenta indispensável para gerenciarmos nossos contatos, sejam eles pessoais ou profissionais, mas também nos reduziu, aos olhos uns dos outros, a simples rostos e nomes. Adolescentes, e também outros que já não o são há um bom tempo, gabam-se (como se isso tivesse algum mérito) de ter 150 “amigos” no MSN ou no orkut. A vontade que me dá é perguntar: amigos? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Amigos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; Quantas dessas 150 pessoas realmente sabem quem você é, ou quantas delas você realmente sabe quem são? Quantas conhecem ao menos detalhes básicos a seu respeito, como em que cidade nasceu, que tipo de música prefere ou como é sua relação com sua família? Com qual dessas pessoas você pode contar quando está triste e precisa conversar? Eu tenho seis pessoas no MSN e já acho isso quase demais. Só considero &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;uma&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; dessas pessoas realmente uma &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;amiga&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; (porque, como no caso de tantas outras palavras, também esta é usada por aí com excessiva liberalidade para o meu gosto). Tirando isso, a maioria das pessoas com quem cheguei a falar por MSN apenas contribuiu para aumentar minha sensação de solidão - pois é essa a sensação que bate quando você está tentando conversar com alguém que demora 20 minutos para lhe responder porque também está falando com outras dez pessoas, além de responder e-mails, baixar músicas, assistir a vídeos, ler as notícias do dia e movimentar sua conta bancária. Tudo ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Saí com uma jovem que não parava de atender ao celular enquanto estava comigo. Depois da terceira vez que me vi obrigado a ficar sentado com uma polida cara de quem não está ali, enquanto ela se alongava em conversas com sei-lá-quem, decidi que já tinha tido o suficiente: não voltei a sair com ela, e não senti falta. Ficar com uma pessoa dessa maneira é só uma outra forma de solidão. E parece que essa é uma tendência generalizada: você tem dezenas de amigos, mas quando foi a última vez que se sentou com um desses amigos por algumas horas, com os celulares desligados, para conversar, ou fazer algo juntos, ou não fazer nada, simplesmente ficar na presença de alguém que é seu amigo e sentir que isso lhe faz bem? O mundo moderno multiplicou exponencialmente a &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;quantidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; de nossas relações, mas fez a &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;qualidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; delas cair de forma abissal. Não temos mais tempo uns para os outros - parece que basta saber que a pessoa "está lá". E no entanto, que grave erro é acreditar que isso basta... Um erro que, geralmente, só percebemos quando já é demasiado tarde para repará-lo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Por mais mirabolantes que sejam os instrumentos de comunicação ao nosso dispor, eles não são capazes de cobrir o abismo que cavamos à nossa própria volta quando estamos muito acomodados para dar-nos ao trabalho (e, o que é mais, correr o risco) de dar um passo em direção ao outro, olhá-lo nos olhos sem disfarces, dizer em alto e bom som o quanto ele é importante para nós e o quanto nos faz felizes tê-lo em nossas vidas. Não há celular a seis centavos o minuto que substitua uma boa e franca conversa, não há MSN que preencha o vazio de não ter o prazer da companhia de um amigo, não há webcam que valha por um forte e demorado abraço. Por isso, e por mais que seja verdade que "conselho é aquilo que o sábio não precisa e o tolo não aceita", eu lhe digo, a você que me lê neste momento: deixe a vergonha e os preconceitos de lado e diga hoje aos seus amigos, pais, filhos, esposa, marido, namorada, namorado e a qualquer outra pessoa de quem você goste o quando eles são importantes para você. Pare de achar desculpas para não lhes dar atenção ou passar mais tempo com eles, esqueça a internet, desligue o celular. Você chegou a este mundo sozinho e vai sair dele do mesmo jeito, portanto não desperdice a chance de ter esses preciosos companheiros de jornada ao seu lado (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;realmente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; ao seu lado, ainda que a distância) enquanto pode.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-7723157314605243937?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/7723157314605243937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=7723157314605243937' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7723157314605243937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7723157314605243937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/07/que-arriscado-e-conturbante-e-gente-se.html' title='Comunicação'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/Sl0DKx3vRJI/AAAAAAAAAKI/S-fgb4V0SfY/s72-c/celular.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-7069263745132432298</id><published>2009-04-23T00:12:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T13:21:08.532-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Marte e Vênus: um só planeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;-&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; Aline! Que bom que veio!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Ora, e eu ia perder a oportunidade de matar saudades? Como você está, moço?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Vou muito bem! Vamos sentar ali?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Claro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Sabe, é legal estar aqui conversando com você! Muitos caras acham difícil entender que eu goste tanto da companhia de uma menina, mas tenho culpa se eu não consigo achar que a vida se resuma a beber cerveja e falar de futebol ou da anatomia de celebridades?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- (risos) Como se conversas masculinas também devessem obrigatoriamente incluir gostosonas e futebol.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Uma vez falei isso para um conhecido e ele perguntou se eu preferia conversar sobre novela e salões de beleza... Como se ele achasse que é obrigatório uma mulher só pensar nessas coisas, entende?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Sério, eu não sei como a maioria dos homens não se ofende... não obrigada, traz só um guaraná? ...Obrigada!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Pra mim uma Pepsi Twist, por favor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Então ....não sei como os homens não se ofendem com esse estereótipo do próprio machismo que sustentam. Porque o machismo não só transforma mulheres em objetos, mas também faz parecer que homens não têm uma cabeça de cima. Acho que é por isso que muitos homens não conseguem ter amizade com meninas, estão sempre achando que elas não passam dos atributos físicos que têm, ou da capacidade de dissertar sobre o último episódio da novela da Globo... Legal esse barzinho, nunca tinha vindo aqui.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Sim, também gostei... Bem, Aline, eu acho que isso tudo começa porque as pessoas simplesmente aceitam o rótulo que a sociedade gruda nelas assim que nascem - não pensam na possibilidade de ser diferentes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Hm. Exemplo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Parece que a "macheza" está condicionada a ser uma criatura óbvia, primária, sem nenhuma idéia nova ou interessante, que pensa que amizade só é possível com outros homens, porque mulher é só pra "transar", e acha que qualquer conversa sobre pensamentos ou sentimentos é "frescura". E o pior é que parece ter sido assim por tanto tempo, que até as mulheres acabaram assimilando essa noção: por mais que passem maus pedaços ao lado de caras assim, acham que não tem jeito, porque "homem é assim mesmo".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Nem me fale. E quando a mulher que vai além de um corpinho bonito e que consegue estabelecer conversas legais e interessantes, acaba se integrando ao grupo de amigos de um cara? É claro que já depende do cara. Mas por ser uma menina em um grupo de amigos exclusivamente masculino, eu já fui considerada por eles como "homem". E vou te dizer uma coisa, Marcos... não existe coisa mais repugnante do que ser considerado um elogio e uma atitude de respeito destituir a pessoa do que ela realmente é para ser considerada uma "igual".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Puxa!... E te dou inteira razão de ficar chateada com isso! Isso nada mais é do que um preconceito velado, ou até inconsciente, mas, mesmo assim, um preconceito! E não só quando um homem diz a uma mulher que ela é "como se fosse homem". É a mesma coisa dizer a um negro que ele tem "alma branca", ou a um velho que ele tem "espírito jovem" - e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;achar que está fazendo um elogio!...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; Ao contrário, eu acho esse tipo de declaração &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;ofensivo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; à classe de pessoas a quem se dirige, pois o que fica implícito nelas é que o homem é melhor que a mulher, que o branco é melhor que o negro, e que o jovem é melhor que o velho!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Isso mesmo! Por isso fiquei tão ofendida. Foi como ele ter dito: "não te considero uma igual, porque não quero me comparar a uma mulher. Para sermos iguais, você precisa ser homem".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Sei exatamente do que você está falando, e acredite, como em tudo na vida, essa moeda tem dois lados... Também é horrível para um homem perceber que, para a maioria das mulheres, um cara que consiga conversar com elas, que as entenda e respeite pelo que são, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;justamente por causa disso deixa de ser encarado como homem!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Sério que isso acontece?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Pior que sim. Tipo, as moças se queixam da falta de sensibilidade masculina, dizem que o companheiro ideal seria um cara sensível, inteligente, gentil, romântico - mas quando topam com um, relegam-no à condição de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;amiguinho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; e continuam a se apaixonar por ogros, porque, de tanto serem expostas à noção que a sociedade faz do que seja ser "homem", não conseguem enxergar um cara como um ente masculino, a menos que ele aja como um ogro!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Onde tá escrito mesmo que homens e mulheres não podem ser amigos juntos sem deixar de ser o que são? Não se pode deixar de considerar homem um cara que é mais sensível que a média troll da população. Da mesma forma, não se pode deixar de considerar mulher uma garota que goste de quadrinhos e RPG. Porque sensibilidade não é uma característica exclusiva feminina, é uma característica humana! Da mesma forma, coisas como hq's e videogame é coisa da cultura humana, e não masculina. Aliás, ali do outro lado da rua tem um fliperama. Vamos lá? Compro umas fichas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Podemos ir sim, mas já vou avisando que devo estar enferrujado, faz anos que não entro num!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Não tem problema, eu pego leve. Ei, moço! Deu dois reais aqui o meu, né?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;- Não se incomode, eu pago... Está vendo? Isso é outro aspecto do que a gente falava há pouco. Pequenos gestos de cavalheirismo não machucam ninguém, independente do sexo. Conheço muita gente - tanto homens quanto mulheres - que acham esses gestos um assunto complicado, o que na minha opinião, é pura insegurança de ambos os lados! Enquanto o cara fica pensando: "Será que fica 'esquisito' se eu abrir a porta do carro para ela?", a mulher, se for do tipo paranóico, pode, por sua vez, pensar: "O que esse cara tá pensando, que eu não sou capaz de abrir a porta sozinha?"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;- Olha... Preciso &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;mesmo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; te apresentar para alguns dos meus amigos trolls!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;( Em parceria com &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.alinevalek.com.br/blog/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ff6666;"&gt;Aline Valek&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;! )&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-7069263745132432298?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/7069263745132432298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=7069263745132432298' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7069263745132432298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7069263745132432298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/04/marte-e-venus-um-so-planeta.html' title='Marte e Vênus: um só planeta'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-5293870735014047400</id><published>2009-02-08T13:00:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T13:15:31.508-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bíblia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='F. Scott Fitzgerald'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='velhice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Segunda Guerra Mundial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Benjamin Button</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY71haQLulI/AAAAAAAAAIs/UxTg5OEDu5k/s1600-h/Benjamin+Button.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 155px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300443765793339986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY71haQLulI/AAAAAAAAAIs/UxTg5OEDu5k/s400/Benjamin+Button.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#333300;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204);" &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#333300;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right; COLOR: rgb(255,255,204)" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Charles Chaplin&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="COLOR: rgb(255,255,204)" align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="COLOR: rgb(255,255,204)" align="center"&gt;*       *       *&lt;/div&gt;&lt;div style="COLOR: rgb(255,255,204)" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ff6600;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Esse pensamento de Chaplin não inspirou o filme &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Curioso Caso de Benjamin Button&lt;/span&gt;, que é baseado num conto de F. Scott Fitgzerald de 1921... Mas bem que poderia tê-lo inspirado. Em mim, a lembrança foi automática, e passei um pouco de trabalho com o site de busca para encontrá-lo de novo, justamente porque queria pô-lo aqui. No mais, este não vai ser um comentário filmográfico como alguns que já fiz no meu outro blog, o&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.notasdeliteratura.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Notas de Literatura&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;; é m&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;uito mais difícil dizer algo interessante sobre um filme como este do que sobre os que comentei lá, então será uma coisa meio surrealista: os sentimentos que ele me despertou irão direto para o teclado, sem passar pelo crivo da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Benjamin (o nome é o do mais jovem dos doze filhos do patriarca bíblico Jacó, e, nos países de língua espanhola, significa "caçula"; coincidência?) é um garoto que nasce com uma característica estranha: recém-nascido, apresenta todos os sintomas de degenerescência física normalmente encontrados em pessoas muito idosas, e, à medida em que o tempo passa, vai rejuvenescendo. Cresce num asilo, e aprende desde cedo a conviver com o fato de que as pessoas morrem. "We're meant to lose the people we love. How else would we know how important they are to us?" Essa é uma das frases mais &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;interessantes do filme. Não é uma lição fácil para ninguém aprender, e ainda menos para um homem que vê todos os seus amigos envelhecerem e morrerem enquanto ele próprio fica cada vez mais jovem. Benjamin faz amizade com Daisy, neta de uma das moradoras do asilo, os dois se entendem, suas mentes infantis fazendo contato por cima da aparência precocemente envelhecida dele - uma amizade que não é vista com muito bons olhos por outras pessoas, em especial pela avó de Daisy. Já adolescente (o que, no seu caso, significa que chegou ao início da velhice, ainda - ou já - com algum vigor físico), Benjamin vai trabalhar no mar. Corre o mundo como marinheiro, passa por experiências juvenis como a primeira paixão - que não é exatamente a primeira, já que Daisy nunca saiu de sua cabeça -, só que com a mente juvenil pilotando um corpo maduro. O barco onde trabalha é recrutado como unidade de apoio para a marinha dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, e Benjamin vê de perto outro tipo de morte, observando que, ao contrário do que acontecia no asilo onde cresceu, "ali a morte não parece uma coisa normal"... Quando finalmente volta para casa, reencontra Daisy, já adulta e seguindo a carreira de bailarina. Muitas coisas acontecem, mas os dois acabam se acertando e ficando juntos, durante os breves anos em que suas "cronologias" coincidem: Daisy amadureceu até certa idade, e Benjamin rejuvenesceu até a mesma. Quando se torna um jovem de seus vinte e poucos anos, ao passo que Daisy se aproxima da meia-idade, Benjamin decide partir, apesar de amá-la, porque, segundo diz, a filha que tiveram "precisa de um pai, e não de um amiguinho". Daí em diante, o componente fantástico da história atinge seu máximo grau de "fantasia", com conseqüências tão comoventes quanto inevitáveis. Para saber mais, vejam o filme - vale muito a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Como em quase tudo na vida, no que toca a cinema eu também tenho momentos diferentes. Algumas pessoas gostam apenas de um ou de poucos tipos de filmes; eu não. Assim como existem músicas que são para relaxar e outras para injetar adrenalina, assim como alguns livros são para estimular a reflexão e outros meramente para empolgar com narrativas emocionantes (e, por que não?, alguns conseguem fazer as duas coisas), também há filmes que envolvem e comovem, e outros que só mesmo divertem. Nada errado com isso. E preciso confessar que fazia tempo que um filme não me comovia tanto quanto esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que me pergunto como seriam os fatos comuns da vida, vistos pelos olhos de uma criatura incomum - quero dizer, ainda mais incomum do que eu e uma ou duas pessoas que conheço. Imagine-se como uma pessoa em cuja ampulheta a areia escorre para cima, cujo relógio gira da direita para a esquerda, e que por isso, querendo ou não, acaba por ter da vida um ponto de vista que as outras pessoas nunca poderão ter. Vendo coisas que estão ocultas dos outros (e, por vezes, querendo que estivessem ocultas também de você, mas essa decisão não é sua). Aprendendo o exato valor de momentos e palavras que de outra forma iriam embora com o vento, sem que lhes fosse dedicado um só pensamento. Ciente de que vai ter um fim, como todos os outros, mas, ao contrário desses outros, sem o conforto de ter entes queridos caminhando ao seu lado ao encontro desse fim, para tornar a perspectiva menos assustadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada pessoa que for assistir a &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Curioso Caso de Benjamin Button&lt;/span&gt; sairá do cinema com pensamentos diferentes. Em mim, o pensamento foi o de que um filme assim nos oferece a valiosa oportunidade de pensar sobre o valor de certas coisas e pessoas em nossas vidas, sem antes precisar perdê-las. Momentos bons devem ser vividos com os olhos bem abertos e os sentidos bem alertas, em vez de apenas passarmos por eles como por um fato consumado. E as pessoas que amamos devem ouvir da nossa boca que as amamos, enquanto temos a chance de dizê-lo. Oportunidades perdidas raramente voltam, mesmo para quem vive de marcha-a-ré, como Benjamin Button.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-5293870735014047400?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/5293870735014047400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=5293870735014047400' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5293870735014047400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/5293870735014047400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/02/benjamin-button.html' title='Benjamin Button'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY71haQLulI/AAAAAAAAAIs/UxTg5OEDu5k/s72-c/Benjamin+Button.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-7712640207854907931</id><published>2009-01-18T14:16:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T13:03:46.686-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Benjamin Franklin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nicolau Copérnico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leonardo da Vinci'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>My Inner Wilderness</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY73OFKAwCI/AAAAAAAAAI8/ybis40ao-j4/s1600-h/Floresta+Amaz%C3%B4nica.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 215px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300445632736051234" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY73OFKAwCI/AAAAAAAAAI8/ybis40ao-j4/s320/Floresta+Amaz%C3%B4nica.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffff99;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;color:#ffffcc;" &gt;Wilderness &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;é daquelas palavras difíceis de traduzir. De acordo com o&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.babylon.com/"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;babylon.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;, que oferece um dicionário inglês/português online, as possíveis definições são: "imensidão, vastidão; deserto; floresta; espaço aberto; território descampado; mistura, confusão; jardim para plantas selvagens". Enfim, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;color:#ffffcc;" &gt;wilderness &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;pode ser praticamente qualquer coisa que dê idéia de um lugar selvagem e pouco habituado à presença humana. Quando escolhi o nome Inner Wilderness para este meu blog, isso já faz um ano e alguns meses, era precisamente essa a idéia que eu queria que o título expressasse: a minha "selva interior", aquela imensidão misteriosa, emaranhada e possivelmente perigosa, onde é sempre um risco penetrar, até mesmo para mim - e cujo acesso eu não tenho o costume de franquear a qualquer pessoa. Porém, algumas coisas trazidas de lá poderiam me estimular a escrever - e eis a razão de ser deste blog.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;O fato é que meu mundo interior sempre foi de extrema importância para mim. Sou o que alguns costumam chamar de uma pessoa "subjetiva". Muitas vezes, palavras que são muito usadas deixam de ser associadas, pelo falante comum, às suas raízes etimológicas: quantas vezes dizemos que estamos "desorientados", sem nos darmos conta de que essa palavra remonta à época das grandes navegações e era usada para dizer que o navegante não sabia mais para que lado ficava o leste, ou seja, o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;oriente&lt;/span&gt;? A mesma coisa acontece com "objetivo" e "subjetivo". Uma pessoa é &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;objetiva &lt;/span&gt;quando, para ela, o mais importante são os &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;objetos&lt;/span&gt;, ou seja, o mundo exterior, a realidade concreta; é &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;subjetiva &lt;/span&gt;quando dá mais importância ao &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;sujeito&lt;/span&gt;, quer dizer, ao ser humano - começando por si própria. Percebo que, mesmo quando olho para o mundo "lá fora", faço-o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;a par&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;tir de dentro&lt;/span&gt; - o que vejo, vejo por meio dessa lente. Para a pessoa objetiva, o mundo é o que é e pronto; para os subjetivos, como eu, a realidade material é menos importante do que aquilo que pensamos sobre ela. Para mim, e para os que são como eu, o mundo não está aí simplesmente para ser visto, e sim para ser visto, conhecido e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;interpretado&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;É claro que a vida não costuma ser fácil para gente assim, que teve desde sempre o pesado encargo de empurrar a humanidade para a frente, geralmente sem contar com o estímulo ou sequer com a compreensão dos demais. Ah, você sempre imaginou que a História tivesse sido feita por homens práticos? Ledo engano. Para o homem prático do século XVI, não fazia a menor diferença que a Terra orbitasse em torno do sol ou que fosse o contrário, porque isso não afetava o seu dia-a-dia. Foi preciso um pensador visionário (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;visionário&lt;/span&gt;: o antônimo de prático) como Copérnico para dar início a uma investigação sobre esse assunto. Quando Benjamin Franklin promoveu uma demonstração pública dos poderes da eletricidade nos Estados Unidos do século XVIII, uma senhora aproximou-se dele ao fim do experimento e disse que aquilo tudo era muito interessante, mas para que servia? De fato, na época, ninguém - nem sequer o próprio Franklin - tinha idéia de para que a energia elétrica poderia servir (!). Respondeu o Da Vinci americano: "Minha senhora, para que serve um bebê?" O que mais admiro nessa resposta não é a presença de espírito de Franklin, mas a paciência que demonstrou ao responder com tamanha cortesia a uma pergunta tão estúpida. Talvez eu seja intolerante, mas me irrito com gente que não consegue entender o valor do conhecimento para além da aplicação prática imediata que ele possa ter. Se dependêssemos de gente assim, ainda estaríamos sentados no chão de uma caverna, batendo pedaços de sílex. E também não teríamos os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina, as melodias de Mozart, nem o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Guerra e Paz&lt;/span&gt; de Tolstoi - coisas que, de um ponto de vista puramente prático, não &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;servem &lt;/span&gt;para nada...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;Mas podem baixar suas armas, que eu não tenho aqui a intenção de me comparar a Franklin, Michelangelo, Mozart ou Tolstoi, nem a mais ninguém, por falar nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;Talvez eu subestime as pessoas em geral, mas tenho a impressão de que a maioria jamais se pergunta nada. Levantam-se sempre à mesma hora, fazem sempre o mesmo trabalho durante o dia todo, voltam para casa, engolem seu arroz com feijão (ou seu filé com champignons - não é uma questão de classe social ou econômica), assistem à novela e vão dormir, para no dia seguinte começar tudo de novo. Friso que o problema não é a rotina em si, pois todo mundo precisa ganhar seu dinheiro de alguma forma, e trabalho normalmente implica em horários fixos e atividades repetitivas. Tudo bem com isso. O problema (ou o que, a meu ver, é um problema) começa quando a vida é &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;só isso&lt;/span&gt;. A maioria das pessoas vive no piloto automático. É quando ligamos o computador para redigir um texto (não porque alguém no trabalho ou na faculdade nos pediu, mas meramente porque sentimos o impulso de escrever), ou quando pegamos um violão ou uma flauta para tentar tirar algumas harmonias, ou quando encaramos uma tela vazia com um pincel na mão e uma ruga de concentração na testa, ou quando desafiamos a sensação do ridículo para subir num palco e tentar dizer algumas falas, é então que estamos nos afirmando como seres humanos, e não como algum tipo de criatura orgânica e, mesmo assim, robótica. Para isso as artes, todas elas, foram criadas, e eu iria ainda mais longe afirmando que o anseio, a inquietação básica que move o artista (ou o aspirante a tal) não é essencialmente diferente do que move o verdadeiro cientista. Criar ou investigar, inventar ou descobrir, tudo são formas que cada pessoa tocada por essa inquietação encontra para tentar deixar sua marca no mundo e, talvez mais importante que isso, para regar a sua "selva interior".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"A literatura é uma forma de protestar contra a morte."&lt;/span&gt; (Ariano Suassuna)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-7712640207854907931?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/7712640207854907931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=7712640207854907931' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7712640207854907931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/7712640207854907931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/01/my-inner-wilderness.html' title='My Inner Wilderness'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SY73OFKAwCI/AAAAAAAAAI8/ybis40ao-j4/s72-c/Floresta+Amaz%C3%B4nica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-6974755677437468982</id><published>2008-12-23T01:13:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T12:48:41.132-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romantismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ser humano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>A Síndrome</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SWAp9EDtbKI/AAAAAAAAAHs/rafq1VnvLkY/s1600-h/Ninf%C3%A9ias.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287272091571023010" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SWAp9EDtbKI/AAAAAAAAAHs/rafq1VnvLkY/s200/Ninf%C3%A9ias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Conversando com uma amiga, pouco tempo atrás, ouvi dela uma reclamação que já havia ouvido inúmeras vezes, de inúmeras pessoas diferentes, e que, tendo ela naquele momento a necessidade (ao menos, psicológica) de fazer, tocou a mim, na qualidade de único representante do sexo masculino ali presente, o papel de "ouvidor" - que é diferente de um simples ouvinte: ouvidor era o ocupante de um antigo cargo de justiça, a quem competia, como o nome indica, ouvir as queixas das pessoas que pleiteavam alguma causa. E a queixa dessa minha amiga era: "Puxa, como é raro &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;a gente encontrar um homem romântico..." Não me contive que não fizesse a pergunta: "E o que vem a ser um homem &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;romântico&lt;/span&gt;?" Só a longa pausa que ela fez antes de responder bastou para deixar óbvio que, ao menos na cabeça das mulheres, "homem romântico" é uma daquelas coisas mais fáceis de identificar do que de definir. Quando finalmente falou, eis, mais ou menos, o que ela disse: "Ah, romântico é aquele cara que é carinhoso, gentil, atencioso, que se liga no que a namorada quer ou precisa, que não tem vergonha de fazer um carinho ou um elogio, que sabe falar coisas bonitas que façam a menina se sentir especial..." Essa definição também não era muito diferente de muitas outras que eu já tinha ouvido. Fiz minha melhor cara incrédula e rebati: "E vocês &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;gostam &lt;/span&gt;disso&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;?" A reação dela foi bem a que eu previa: pareceu chocada com a minha dúvida e respondeu com muita ênfase: "Ora, é claro que gostamos! É o que toda garota sonha!" E eu: "Então, por que agem tão em desacordo com esse desejo?"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;(&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Parêntese 1:&lt;/span&gt; Se ela vier a ler este texto [e sei que vai ler], peço vênia se as frases não estiverem muito exatas, pois transcrevi tudo de memória. Se houver alguma discrepância muito grande, avise, que eu altero! :P)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Vamos falar claramente: eu, e também um ou dois amigos meus, somos caras que não temos a menor vergonha de nos dizer românticos até a medula. Correspondemos ponto por ponto a todas as exigências expressas por essa moça, e a mais algumas - e as histórias que já ouvimos uns dos outros por cima de várias mesas demonstraram que nenhum de nós é estranho à experiência de ver garotas de quem &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;gostamos nos darem as costas para ir atrás de um ogro qualquer (sem ofender o Shrek, que é um ogro muito simpático e decente). E por cima dessas mesmas mesas instalou-se o inevitável debate: por que é que, da boca pra fora, toda mulher quer um namorado romântico - mas, na hora de encarar a situação prática, invariavelmente prefere um cara que ocupa todo um hemisfério do cérebro com o item &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;cerveja &lt;/span&gt;(pois o outro hemisfério é reservado ao item &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;futebol&lt;/span&gt;)? Que se esquece da &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;existência dela durante uma inteira tarde de domingo porque o Grêmio (ou outro time) está jogando?? Que acha um saco ter que &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;conversar &lt;/span&gt;com uma namorada??? Que acha que "amigo de mulher é cabeleireiro"???? Que concorda com a frase do célebre personagem de Luís Fernando Veríssimo que diz que "mulher só serve pra três coisas, e pra duas tem diarista"?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;(&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Parêntese 2:&lt;/span&gt; Um de meus amigos terminou de mastigar o que tinha na boca e tentou dar resposta a essa questão crucial: "Porque mulher é um ser ilógico!" Valeu, Albano, mas que tal me dizer alguma coisa que eu ainda não sei?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilógica, toda criatura humana é, em maior ou&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; menor grau (embora não haja o que discutir que, nesse quesito, as mulheres são mestras, e os homens, meros aprendizes...), o que não impede que façamos escolhas baseadas em nossos desejos e preferências. Quem odeia misturebas de salgado com doce, como eu, por exemplo, não vai escolher "peru à califórnia" quando a mãe lhe perguntar o que gostaria que fosse preparado para o &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;almoço de seu aniversário. Então, por que uma moça que sonha com atenção e romantismo escolhe quase sempre um namorado que não só arrota alto em público, como ainda se gaba disso como de um feito heróico? Um cara que não vai nem lembrar de ligar para ela no dia dos namorados? Que a trata de forma grosseira? Um sujeito com quem fatalmente ela vai se frustrar e se aborrecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Uma hipótese razoável é que "o que é fácil não tem graça". Talvez, inconscientemente, a mulher sinta que a companhia de um homem que sempre vai tratá-la bem e que sente sincero prazer em agradá-la oferece muito pouco em termos de "emoção". É muito mais desafiador pegar um cara que não é nem de longe romântico ou gentil, e passar anos, às vezes a vida toda, fazendo um esforço hercúleo para mudá-lo - mesmo sabendo, lá no fundo, que isso é impossível, que as pessoas não mudam, ou melhor, até podem mudar, mas somente por esforço e vontade próprios, nunca de outra pessoa... O &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;mais patético é que, se, por força de algum milagre, ela conseguisse de fato transformá-lo, seria para logo em seguida perder o interesse por ele. O cara cafajeste é fascinante justamente por ser cafajeste: se um dia ele se apaixona e resolve se regenerar, aos olhos das mulheres seu poder de sedução desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ou seria porque, pelas convenções que regem a sociedade, um homem muito gentil e educado é considerado pouco condizente com a figura do macho-padrão? Na Idade da Pedra, o homem que batia mais forte e gritava mais alto levava vantagem na hora da divisão da caça, o que o fazia um melhor provedor do que aqueles com menos gosto pela violência - e por isso, os "ogros" eram os preferidos pelas mulheres. Talvez as mulheres de hoje estejam muito mais próximas de suas antecessoras pré-&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;históricas do que gostariam de admitir... Desconfio que elas gostem da idéia (eu disse da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;idéia&lt;/span&gt;, que é por natureza apenas uma abstração) de serem amadas e bem tratadas, porque, sendo criaturas mais sensíveis e delicadas, desejem ser tratadas de acordo... Só que, ao terem que escolher um companheiro &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;de fato &lt;/span&gt;(um cara de carne e osso), optam pelo que coça o saco em público, só pensa em futebol, dá muito mais atenção ao carro do que à esposa e acha romantismo coisa de boiola, meramente porque a sociedade convencionou que essa é a conduta de um "homem de verdade" - e as mulheres, inconscientemente, introjetaram essa noção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;O amor tem necessariamente que ser uma coisa complicada, já que é o encontro de dois universos infinitos que são as mentes e corações de duas pessoas. Mas talvez o que mais o torna complicado seja o fato de nenhum dos dois sexos saber direito o que realmente espera do outro... Por que será tão difícil lidar com a situação de nos ser oferecido exatamente aquilo com que sonhamos? A amiga cujo desabafo inspirou este artigo chama isso de "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;síndrome do não-pode-ser-verdade"&lt;/span&gt;. Será isso uma prova de que eventualmente as mulheres também podem estar conscientes do que acontece com elas?... Espero que seja.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-6974755677437468982?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/6974755677437468982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=6974755677437468982' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6974755677437468982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6974755677437468982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2009/01/sndrome.html' title='A Síndrome'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SWAp9EDtbKI/AAAAAAAAAHs/rafq1VnvLkY/s72-c/Ninf%C3%A9ias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-8212673492387325626</id><published>2008-11-15T20:53:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T12:35:54.537-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Detonautas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saudade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>O Retorno de Saturno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SR9tvUgfCAI/AAAAAAAAAHk/GK8Jyoj-1-Q/s1600-h/Rosa.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269050748773009410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SR9tvUgfCAI/AAAAAAAAAHk/GK8Jyoj-1-Q/s320/Rosa.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;(Detonautas)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Visão do espaço, estamos tão distantes&lt;br /&gt;se acelero os passos sigo a voz do meu coração.&lt;br /&gt;Ontem eu fui dormir mais tarde um pouco.&lt;br /&gt;E tudo vai indo bem...&lt;br /&gt;Venço o cansaço e o medo do futuro.&lt;br /&gt;No teu abraço é que encontro a cura do mal&lt;br /&gt;Hoje eu acordei e te quis por perto.&lt;br /&gt;E você não sai do meu pensamento&lt;br /&gt;e eu me questiono aqui se isso é normal.&lt;br /&gt;Não precisa ser de novo assim tudo igual.&lt;br /&gt;Entre o retorno de Saturno e o seu,&lt;br /&gt;busco uma resposta que acalme o meu coração.&lt;br /&gt;Do amanhã não sei o que posso esperar.&lt;br /&gt;E você não sai do meu pensamento&lt;br /&gt;e eu me questiono aqui se isso é normal.&lt;br /&gt;Você não sai do meu pensamento&lt;br /&gt;e eu me pergunto aqui, se o natural&lt;br /&gt;vai dizer que o amor chegou no final.&lt;br /&gt;Não precisa ser de novo assim tudo igual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-8212673492387325626?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/8212673492387325626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=8212673492387325626' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8212673492387325626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8212673492387325626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/11/o-retorno-de-saturno.html' title='O Retorno de Saturno'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SR9tvUgfCAI/AAAAAAAAAHk/GK8Jyoj-1-Q/s72-c/Rosa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-3713705122944155911</id><published>2008-10-22T19:14:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T12:32:22.852-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terapia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='disciplina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stephen King'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>Um pouco de metalingüística</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SP-Y1roPdvI/AAAAAAAAAGs/PT8wdOjOUNg/s1600-h/m%C3%A1quina+de+escrever+Carlos+Paes.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260090937804027634" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SP-Y1roPdvI/AAAAAAAAAGs/PT8wdOjOUNg/s200/m%C3%A1quina+de+escrever+Carlos+Paes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Numa de nossas últimas sessões, conversei com minha terapeuta, a Aline, sobre o ato de escrever. Depois de cerca de três anos, já ficou óbvio para ela (e acho que para qualquer pessoa que porventura, e por algum motivo, leia regularmente meus blogs) que escrever, para mim, vai muito além de um simples hobby: é uma maneira de interpretar o mundo e achar meu lugar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Sendo assim, impõe-se uma pergunta um tanto óbvia: por que eu nunca me tornei realmente um &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;escritor&lt;/span&gt;? Não falo nem em ter livros publicados, pois sabe-se que são dois departamentos muito distintos: há por aí excelentes escritores que nunca conseguiram publicar um livro, assim como há reles escrevinhadores que publicaram vários, sendo que alguns até venderam muito bem... Eu me consideraria um escritor se conseguisse escrever narrativas com início, meio e fim, com coerência e um padrão mínimo de qualidade. O que costuma acontecer, entretanto, é que as histórias que começo chegam a um certo ponto... e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;empacam&lt;/span&gt;. Escrever num blog é fácil e gostoso - escrever um conto ou um romance é delicioso, porém difícil pra caramba, e por vezes doloroso... Não se assustem, sei que pode soar estranho dizer que algo é delicioso e doloroso ao mesmo tempo, mas garanto que não há nenhum componente sadomasoquista aí (risos). É apenas algo que só quem experimentou pode saber como é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Tentamos então, juntos, achar o possível motivo pelo qual minhas histórias empacam. A hipótese mais provável - continua a me parecer - é que me falta &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;disciplina&lt;/span&gt;. Grandes escritores (não que eu tenha a pretensão de me comparar a eles) costumam impor a si próprios a exigência de produzir uma determinada quantidade de texto por dia, e acho que é o que eu devia fazer. A Aline então levantou a questão: será que seria boa idéia escrever contra a vontade? Forçar? Depois de pesar prós e contras, concluí que sim, esse é o caminho... Pelo menos no início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mestres de artes marciais dizem que treinar quando se está disposto é fazer o óbvio. Treinar quando não se está disposto, esse é que é o verdadeiro treinamento. Já dizia Thomas Alva Edison que um gênio se faz com um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração... E isso vale não só para aspirantes a gênio, como também para aspirantes a escritor: se você for esperar para escrever apenas em momentos de inspiração arrebatadora, corre um sério risco de passar a vida sem conseguir produzir nada de relevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Stephen King escreveu em algum lugar, ou disse em alguma entrevista (a memória me trai: sei apenas que a declaração é dele) que, para cada original que ele já entregou a uma editora, existia, no mínimo, uma quantidade equivalente de texto produzido que ele jamais mostraria a ninguém e que nunca seria publicada, ao menos não enquanto ele fosse vivo. É parte do ofício do escritor reconhecer quando algo que saiu de sua pena (ou de seu teclado, afinal estamos no século XXI...) é simplesmente horrível e nunca deveria ter visto a luz do sol... Mas também reconhecer, ao mesmo tempo, que nesse ofício, como na maioria dos outros, é preciso errar muito, produzir muita coisa ruim, até começar a acertar. E, de modo especial, não se afeiçoar demais ao que se escreve: por vezes a maneira mais certeira de melhorar enormemente um texto é simplesmente cortar e jogar fora longas partes dele. Tenho especial dificuldade com isso: tudo o que escrevo se torna querido para mim, porque custou trabalho e, às vezes, doeu para criar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Então... Depois de tudo isso, concluo que de fato a disciplina não é menos importante para um escritor que para um atleta olímpico. É preciso escrever com constância e persistência: ao fim de cada sessão de criação decidiremos se o produto merece fazer parte da nossa obra ou se o melhor uso que pode ter é ir para a lareira (na verdade, para a lixeira do computador, aquela com o símbolo da reciclagem que está no desktop. Século XXI, lembram?). O importante é que escrevemos: não enferrujamos nem cedemos à preguiça. Com tempo e suor, é provável que consigamos apurar nossa técnica e estilo, de modo que aconteça com menos freqüência de ser necessário rasgar (deletar!) impiedosamente o produto de longas horas de labuta. E, para animar, finalizo com uma constatação: mesmo que no começo seja preciso forçar-se para escrever com regularidade, com o tempo isso não será mais necessário. Nosso relógio biológico, depois de devidamente viciado, se encarregará de avisar que está na &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;hora de escrever&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu, Aline!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-3713705122944155911?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/3713705122944155911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=3713705122944155911' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/3713705122944155911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/3713705122944155911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/10/um-pouco-de-metalingstica.html' title='Um pouco de metalingüística'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SP-Y1roPdvI/AAAAAAAAAGs/PT8wdOjOUNg/s72-c/m%C3%A1quina+de+escrever+Carlos+Paes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2165384707202142390</id><published>2008-09-20T09:59:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T12:25:30.102-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Silver Mountain'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Too Late</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SNT1fQJEovI/AAAAAAAAAEk/FQ9sJRWhxag/s1600-h/Too+Late.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248089383051240178" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SNT1fQJEovI/AAAAAAAAAEk/FQ9sJRWhxag/s200/Too+Late.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;(Jonas Hansson&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;/Silver Mountain)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Turn on the light, I can't see, I&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; need a heel&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Where's the sun, what&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; has happened to me&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;I cannot walk, cannot&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;hear what you say&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;And I've lost all my&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;feelings, so please&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Give me the &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;answers&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;I can't&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;remember&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Give me some&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;new legs&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Where is your&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;power?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Something has happened to&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;me, I don't know what it is&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;But I think&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;that I'm dead&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Trying to scream, I'm&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;not sure if I'm dreaming&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;But everything&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;changed all around&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153)"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Where is the&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;future?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;I can't&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;remember&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;What am I&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;doing?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ain't got&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;no answer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153)"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Some people don't&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; understand&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They're just living and&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;loving and dying&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They do not search&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;for anything&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Some people don't&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;give a damn&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They're just living and&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;loving and dying&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;But it's too late when&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;you are dead&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Inside my mind I &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;can hear, I can see&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;But my body is&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;stiff, that's for sure&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;If I could live once again I&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;would never be sitting around&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;And I&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; know&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;There is&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;no answer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Do what&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;you can&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Soon you&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;can save me&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Forever and&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt; ever&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,153)"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Some people &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;don't understand&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They're just living&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;and loving and dying&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They do not search&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;for anything&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Some people don't&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;give a damn&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;They're just living&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;and loving and dying&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic; COLOR: rgb(255,255,153)"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;But it's too late&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;when you are dead&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2165384707202142390?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2165384707202142390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2165384707202142390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2165384707202142390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2165384707202142390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/09/too-late.html' title='Too Late'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SNT1fQJEovI/AAAAAAAAAEk/FQ9sJRWhxag/s72-c/Too+Late.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-8121261808511525343</id><published>2008-07-02T14:17:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:33:29.371-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Érico Veríssimo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Machado de Assis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humildade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Humildade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Volta e meia a nos deparamos com pessoas que, ao se verem em situações que evidenciem nelas a falta de alguma capacidade intelectual que, via de regra, é considerada elementar, justificam-se, num tom levemente triste de quem se desculpa, dizendo algo do tipo "A gente somos muito humilde..." &lt;em&gt;Humilde&lt;/em&gt; quer dizer &lt;em&gt;pobre&lt;/em&gt;? E mesmo que seja isso, por que &lt;em&gt;pobre&lt;/em&gt; tem que ser sinônimo de &lt;em&gt;ignorante&lt;/em&gt;? Questão interessante...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Lembro do trecho de &lt;em&gt;O Tempo e o Vento - O Continente&lt;/em&gt;, em que o índio Pedro Missioneiro apresenta à família Terra uma carta do coronel Pinto Bandeira para provar que, apesar de seu sotaque espanholado, já serviu como soldado nas tropas da coroa portuguesa. O velho Maneco Terra declara que ninguém de sua família sabe ler, e o autor frisa que, ao dizer isso, seu tom não sugere lamentação ou desculpa, mas é, antes, levemente desafiador (estou citando de memória, perdoem se as palavras não estiverem exatas). Isso não significa necessariamente que ele se orgulhe de não saber ler - apenas que não sente nenhuma vergonha de não ter tido a chance de aprender. Reflitam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Claro que seria preciso ser bem mais que humilde - no mínimo, um completo idiota - para não estar ciente do fato de que muita gente não tem culpa de só saber, com muita dificuldade, assinar o próprio nome - ou nem isso. Se alguém cresceu num lugar onde a escola mais próxima ficava a quatro horas de viagem, e além disso teve que pegar numa enxada para pôr comida na mesa da família tão logo se tornou capaz de ficar em pé, seria tolo e injusto não entender que tal pessoa simplesmente não teve escolha. Por outro lado, o que devemos pensar ao ver que existem outros que apenas sentam em cima da tal "humildade" para justificar a falta de interesse em aprender um pouco mais?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;É complicado fazer algum julgamento - cada caso é um caso. Algumas pessoas não são culpadas de terem um espírito anão. Umas podem usar a origem humilde como muleta para a preguiça e o desinteresse: "Sou pobre mesmo, ninguém vai ligar se eu não souber escrever direito e não tiver conhecimentos gerais, então pra que perder tempo estudando?" Outras (e isso é bem mais triste) podem ter-se deixado anular, incorporando a imagem que a sociedade preconceituosa tem delas: "Sou pobre, não adianta ficar sonhando muito, tenho que levar a vida que Deus me deu..." Por que não há ninguém para dizer a essas pessoas que, mesmo que seu padrão de vida não venha a melhorar muito do ponto de vista meramente econômico, elas podem, se quiserem, ter uma vida muito mais cheia e significativa, se apenas decidirem abrir os olhos para o mundo que as cerca, e ver o quanto de maravilhas existem nele, só esperando para serem descobertas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;E o que dizer então de pessoas nada humildes (em nenhum dos sentidos da palavra...), que tiveram e têm todas as condições, e são burras, tapadas, arrogantes e prepotentes? Quantas pessoas nós conhecemos, que passaram por uma faculdade e conseguiram a proeza de sair dela tal como entraram - perfeitos quadrúpedes pastadores?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Joaquim Maria Machado de Assis era filho de uma lavadeira e de um pintor de paredes (este, filho de escravos) e conseguiu, pelo próprio esforço, ingressar no funcionalismo público, o que lhe proporcionou um nível de vida, se não faustoso, confortável, além de tempo livre para praticar seu &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt;: escrever. Nessa brincadeira, tornou-se o maior escritor da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal. Agora imaginem se ele tivesse simplesmente preferido se esconder atrás de sua origem "humilde" e se contentado com uma vida de poucas letras e ainda menos horizontes...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Alguém disse que cultura é uma forma de &lt;em&gt;status&lt;/em&gt;, e outro alguém, que a opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos. Para mim, as duas frases se complementam. Pouco me importa (na verdade, não me importa um átomo) se ninguém mais no mundo entender qual a vantagem (e por que, em nome de Deus, &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; tem que trazer alguma vantagem??) de saber citar Virgílio ou de saber o que Alexandre Nevski fez na vida. Conhecer isso e outras coisas semelhantes traz satisfação para mim, faz com que eu sinta que estou tendo uma vida melhor do que teria se me contentasse em ser "humilde". E, para mim, se eu sinto dessa forma, é o que importa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-8121261808511525343?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/8121261808511525343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=8121261808511525343' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8121261808511525343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8121261808511525343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/07/humildade.html' title='Humildade'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-3536986143284807254</id><published>2008-04-30T10:08:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T12:22:10.842-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grave Digger'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Odin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mitologia nórdica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orgulho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='valquírias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dever'/><title type='text'>Maidens of War (tradução livre)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SBhv8MupZWI/AAAAAAAAAEc/oOhWpFJt5_Y/s1600-h/Valkyrien.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195025250171577698" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SBhv8MupZWI/AAAAAAAAAEc/oOhWpFJt5_Y/s200/Valkyrien.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Pai, conta-me o que Te perturba&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Como Tuas preocupações inquietam Teu filho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Eu vi os olhos dele, ouvi suas palavras&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Eu percebi a angústia solene do herói.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Confia em mim, eu sou leal a Ti&lt;br /&gt;Mas eu não posso matar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Teu filho, Teu sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matando, lutando pela vitória&lt;br /&gt;Matando, enfrentando o inimigo&lt;br /&gt;Matando, lutando, em agonia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Matando, morrendo, pela glória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzelas da guerra&lt;br /&gt;Filhas dos deuses&lt;br /&gt;Adeus - Adeus!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Donzelas da guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assassino, Tu mataste Tua própria carne&lt;br /&gt;Por que negas o amor com dor e morte?&lt;br /&gt;Tua lança destruiu a gloriosa espada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Partida para sempre em aço sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matando, lutando pela vitória&lt;br /&gt;Matando, enfrentando o inimigo&lt;br /&gt;Matando, lutando, em agonia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Matando, morrendo, pela glória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzelas da guerra&lt;br /&gt;Filhas dos deuses&lt;br /&gt;Adeus - Adeus!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Donzelas da guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê, por quê, por que cometer tão cruel assassínio?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Por quê, por que, por quê? Estou aprisionada pelo fogo sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzelas da guerra&lt;br /&gt;Filhas dos deuses&lt;br /&gt;Adeus - Adeus!&lt;br /&gt;Donzelas da guerra &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-3536986143284807254?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/3536986143284807254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=3536986143284807254' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/3536986143284807254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/3536986143284807254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/04/maidens-of-war-traduo-livre.html' title='Maidens of War (tradução livre)'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SBhv8MupZWI/AAAAAAAAAEc/oOhWpFJt5_Y/s72-c/Valkyrien.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-8808925318061874413</id><published>2008-04-22T14:44:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T12:14:40.514-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar Wilde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vulgaridade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leonardo da Vinci'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>A Ignorância ao Alcance de Todos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Escreveu Oscar Wilde que "todo crime é vulgar, e toda vulgaridade é criminosa". É verdade que a frase está no livro &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O Retrato de Dorian Gray&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;, e, se não me falha a memória, é dita por um certo lorde Henry, que vem a ser um dos personagens mais insuportáveis da literatura universal, pois parece devotar todo o seu tempo (o que não é inverossímil, considerando o completo ócio em que viviam os ingleses da classe alta naqueles dias) a elaborar frases cínicas com que entreter e escandalizar os amigos. E eu, por temperamento, tenho sempre vontade de esganar pessoas cínicas... Mas, no meio de tanta bobagem pseudo-espirituosa, o tal lorde diz, em todo o livro, umas duas ou três frases muito boas, e essa é uma delas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Fale a verdade: você também conhece (todo mundo conhece) pessoas que, mal pegam o jornal, vão direto à página policial para ver quem matou quem e se deleitar comentando as circunstâncias escabrosas dos crimes. Claro, pode haver quem tenha um interesse científico pelos aspectos psicológicos da coisa, mas não creio que a porcentagem de pessoas com vocação para psiquiatra forense na população em geral seja suficientemente grande para explicar essa multidão de ávidos leitores de página policial - que, não raro, pouca coisa mais lêem. Parece bem mais provável que isso seja uma pista sobre a natureza da vulgaridade, sobre a qual Wilde teorizou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#ffffcc;"&gt;Outro autor, cujo nome não lembro agora, dizia que "as grandes inteligências comentam idéias, as inteligências medianas comentam acontecimentos, os ignorantes comentam a vida alheia". É um fato da vida que a cabeça do ser humano precisa se ocupar de alguma coisa. Quem não tem acesso (seja por percalços da vida ou por própria culpa) às artes e às ciências, e portanto não conhece o tesouro de beleza e conhecimento que a humanidade acumulou ao longo de sua história - e que hoje está aí para usufruirmos, sem esquecer nosso dever de o aumentarmos para as gerações futuras - só pode mesmo deter-se em detalhes mesquinhos, no nível que sua compreensão alcança, e é para esse tipo de pessoa que adquire uma importância desesperadora saber se o vizinho do outro lado da rua está ou não enganando a mulher, ou quem matou quem na cidade durante o fim de semana. Perguntem-me se Einstein, Leonardo da Vinci ou Tolstoi saberiam dar alguma informação sobre a vida pessoal de seus vizinhos!... Eles simplesmente tinham coisas muito melhores em que pensar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:+0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Talvez essa civilização tecnicista tenha a sua parcela de culpa, por criar na cabeça das pessoas "normais" uma tamanha desconfiança de qualquer coisa que não tenha finalidade prática. Um conhecido meu declara de boca cheia que não "perde tempo" lendo romances, que poesia é uma estupidez porque o cara "pode escrever qualquer merda que todo mundo vai achar lindo", que "não tem saco" para olhar pintura ou fotografia, e que até música ele só ouve quando está no carro. Ou seja, esse cidadão absorveu com perfeição a ideologia moderna que classifica &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;arte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; como &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;coisa inútil&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;. Alguém pode se surpreender de que uma anta dessas esteja sempre interessadíssima em saber detalhes sórdidos da vida de vizinhos e conhecidos, ou que adore ler notícias de crimes? Sobra sempre um vácuo na nossa vida onde não conseguimos enchê-la com trabalho ou sono, e esse vácuo, de uma forma ou de outra, vai ser preenchido. Quem não cultiva seu espírito, fatalmente acabará tendo-o transformado em aterro sanitário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-8808925318061874413?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/8808925318061874413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=8808925318061874413' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8808925318061874413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8808925318061874413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/04/ignorncia-ao-alcance-de-todos.html' title='A Ignorância ao Alcance de Todos'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2860461764319442929</id><published>2008-04-09T22:36:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T11:54:19.789-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='celular'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='férias'/><title type='text'>Vivo</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Posso pensar numa infinidade de coisas melhores para se fazer numa bela e amena manhã de quarta-feira quando se está de férias (uau!), mas, como era necessário, lá fui eu para um representante autorizado da Vivo, a fim de providenciar a troca do meu velho aparelho. Por mim, continuaria com ele, que sempre me serviu muito bem ao longo de anos, só que, como o "progresso" não pára, a tecnologia TDMA deixou de funcionar este mês; então, querendo ou não, eu teria que adotar um celular mais "muderno". Algumas semanas atrás recebi uma ligação da Vivo prometendo enviar alguém para fazer a troca na minha casa num prazo de sete dias úteis, mas, como ninguém apareceu, tive que me mexer para não acabar ficando sem o serviço.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Chegando ao local, meu primeiro pensamento foi que devia ter deixado a preguiça de lado e acordado bem mais cedo: naquele momento passava um pouco das oito horas e já havia diante da porta da loja (que só abriria às nove) uma longa fila de pessoas movidas pela minha mesma necessidade. Tomei lugar no fim da fila e coloquei nos ouvidos os fones do meu &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;discman&lt;/span&gt;, que tivera a boa idéia de trazer comigo, juntamente com um bom livro. Tinha escolhido um CD de MP3 já pensando nessa situação: mais de 120 músicas de boas bandas de hard rock e heavy metal. Gosto de muitos tipos de música - rock, new age, MPB, música clássica, alguma coisa de blues... - mas, para longas esperas em filas, prefiro ouvir sons pesados, porque é melhor para isolar tudo o que venha de fora dos fones. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Change to random mode and press play... &lt;/span&gt;(Stratovarius, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Forever Free&lt;/span&gt;, 6:00) Enquanto o excelente metal melódico da banda finlandesa começava a se derramar dos fones, percorri a fila com os olhos e avaliei que ficaria ali algumas horas, já que cada pessoa, ao ser atendida, precisava escolher um novo aparelho, ter seu bônus verificado, e, conforme o caso, negociar a forma de pagamento, além do procedimento de transferência da linha, o que, tudo junto, deveria demorar cerca de uma hora por cabeça. Ao contrário do senso comum, que seria ter pena de mim mesmo e dos outros clientes, fiquei com pena dos funcionários, pois sei, por uma longa experiência, que só há uma coisa pior que esperar horas numa fila: estar sentado atrás de um balcão, atendendo as pessoas que esperaram horas numa fila.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;(Dio, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Sacred Heart&lt;/span&gt;, 6:20) Depois de aproximadamente uma hora na fila, por fim cheguei perto do terminal onde um funcionário distribuía as senhas, de acordo com o serviço que o cliente necessitasse. Ou seja, era uma hora de espera apenas para tirar a senha e poder realmente começar a espera que &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;contava&lt;/span&gt;. Observei distraidamente uma senhora gesticulando enfaticamente e movendo os lábios com energia, enquanto o funcionário assumia aquela expressão de paciência martirizada que bem conheço. Em pensamento, dei os parabéns a mim mesmo por ter trazido o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;discman&lt;/span&gt;: sentia-me contentíssimo de não poder ouvir uma palavra do que estava sendo dito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;O fato é que, ao me ver em situações semelhantes, como costumava acontecer nos bancos há poucos anos (antes de os abençoados terminais de auto-atendimento praticamente eliminarem a necessidade de se entrar nas agências), sempre preferi aproveitar o tempo para algo de construtivo, como ler, por exemplo. Enquanto isso, a quase totalidade das pessoas à minha frente e atrás de mim usavam esse tempo reclamando azedamente umas com as outras e xingando todo mundo que lhes ocorresse xingar, desde o governo até os funcionários nos guichês. Suponho que experimentassem com isso alguma espécie de satisfação deturpada que nunca serei capaz de entender. (Edguy, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Catch of the Century&lt;/span&gt;, 4:03) Pergunto-me, e desafio qualquer pessoa que me leia a dar uma resposta razoável: ficar se irritando e jogando bílis no próprio sangue tem o poder de fazer uma fila andar mais depressa? Então, para que desperdiçar energia com algo que terá o único efeito de tornar sua própria existência um pouco mais miserável?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A mesma coisa, com as alterações adequadas a cada situação, pode ser aplicada a um grande número de áreas da nossa vida diária, e acho surpreendente que a vasta maioria das pessoas nunca se dêem conta disso. O &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;stress &lt;/span&gt;existe, é uma realidade e por vezes não temos como fugir dele - mas por que não nos contentamos com o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;stress &lt;/span&gt;que a vida se encarrega de nos impor, e ainda fazemos questão de nos estressar voluntariamente quando isso é desnecessário e inútil?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2860461764319442929?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2860461764319442929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2860461764319442929' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2860461764319442929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2860461764319442929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/04/vivo.html' title='Vivo'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2633385296277851885</id><published>2008-04-02T12:42:00.001-03:00</published><updated>2010-12-26T11:46:34.449-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Legião Urbana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís de Camões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adolescência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bíblia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='São Paulo (santo)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>As Quatro Estações</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R_OpjrjBjyI/AAAAAAAAAEQ/aYwt9_5IR5c/s1600-h/asquatro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184674026483715874" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R_OpjrjBjyI/AAAAAAAAAEQ/aYwt9_5IR5c/s200/asquatro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Eu não poderia apostar minha cabeça na exatidão da data, mas acho que foi por volta do final de 1989 que o Legião Urbana, uma das bandas mais importantes da história do rock nacional, lançou o que, em minha modesta opinião, é o melhor disco de sua carreira: &lt;em&gt;As Quatro Estações&lt;/em&gt;. Quem conhece a trajetória da banda sabe que seu vocalista e mentor, Renato Russo, tivera seu período punk/revoltado, que gerou, em discos anteriores, algumas músicas que valiam por um soco na boca do estômago de certos setores da sociedade e por um grito de alerta contra uma série de absurdos. Já em &lt;em&gt;As Quatro Estações&lt;/em&gt;, Russo dava a impressão de estar mais aquietado e introspectivo, ainda preocupado com o mundo, é claro, mas preferindo focar a maneira como o indivíduo se relaciona com ele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Disse que creio que &lt;em&gt;As Quatro Estações&lt;/em&gt; saiu no final de 1989 porque lembro com toda a clareza possível que esse disco teve um papel fundamental na minha vida durante os dois anos seguintes, quando cursei as duas últimas séries do segundo grau (na época, ainda não se falava em "ensino médio"). Tinha 16 e 17 anos, às voltas com todas as penas, sonhos e desafios da adolescência, e começando a ter a percepção clara de que o fato de me sentir tão diferente de todo mundo não era apenas mais um desses complexos adolescentes que ficam para trás assim que o organismo dá um jeito de compensar os excessos hormonais, mas algo com que eu teria de lidar, da melhor maneira que pudesse, pela vida afora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ouvir o Legião Urbana, e principalmente as músicas de &lt;em&gt;As Quatro Estações&lt;/em&gt;, me acalmava e trazia um certo alívio, pois fazia com que meu mundo parecesse encontrar o seu eixo, e fazer sentido, mesmo que de forma diferente do mundo onde viviam meus colegas. O vozeirão de bronze de Renato Russo, embalado pelo instrumental simplíssimo mas agradável da banda, falava de coisas que eu entendia, e que seria capaz de jurar ser o único em todo o planeta a entender. Falava das coisas que eram importantes para mim, das coisas em que eu acreditava, das coisas que, ao mesmo tempo em que me afligiam, traziam uma inexplicável satisfação, porque, se eu as sentia, era porque era humano, estava vivo e estava me tornando um homem - não mais um menino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Foi nessa época que tentei montar uma banda de rock (nem preciso dizer que o Legião comparecia com uma boa porcentagem do nosso repertório à base de covers), também foi quando me apaixonei pela segunda vez na vida e aprendi que o sentimento vem com um sabor diferente quando é por uma pessoa diferente. Hoje me parece inadmissível que mesmo um rapazinho de 16 anos se apaixone por uma garota sobre a qual não sabe coisa alguma, exceto que tem um rostinho encantador, mas adolescência é adolescência... É preciso dar um desconto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Uma das músicas mais interessantes de &lt;em&gt;As Quatro Estações&lt;/em&gt; era&lt;em&gt; Monte Castelo&lt;/em&gt; (uma das manias de Russo era batizar algumas músicas com títulos que aparentemente não tinham qualquer ligação com o conteúdo da letra, ou que, mais provavelmente, deviam ter uma ligação que somente ele sabia qual era). Eis aqui a letra: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ainda que eu falasse a língua dos homens&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;E falasse a língua do anjos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Sem amor, eu nada seria...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É só o amor, é só o amor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Que conhece o que é verdade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;O amor é bom, não quer o mal&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Não sente inveja ou se envaidece... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;O amor é o fogo que arde sem se ver&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É ferida que dói e não se sente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É um contentamento descontente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É dor que desatina sem doer... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ainda que eu falasse a língua dos homens&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;E falasse a língua dos anjos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Sem amor, eu nada seria... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É um não querer mais que bem querer&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É solitário andar por entre a gente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É um não contentar-se de contente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É cuidar que se ganha em se perder... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É um estar-se preso por vontade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É servir a quem vence o vencedor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É um ter com quem nos mata lealdade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Tão contrário a si é o mesmo amor... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Estou acordado todos dormem,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;todos dormem, todos dormem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Agora vejo em parte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Mas então veremos face a face&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;É só o amor, é só o amor&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Que conhece o que é verdade... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ainda que eu falasse a língua dos homens&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;E falasse a língua do anjos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Sem amor, eu nada seria... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Como eu lia de tudo, vorazmente, desde a infância, identifiquei sem dificuldade os recortes do soneto mais famoso de Luís de Camões (1524?-1580) e da Primeira Carta aos Coríntios escrita por São Paulo, diferentemente de meus colegas, que, ao verem a professora de Literatura, certa manhã, escrever no quadro aqueles versos, exclamaram, muito surpresos: "Tem uma música assim, 'sora!" Anos mais tarde, na faculdade, outros colegas tinham absoluta certeza de que a parte sobre a língua dos homens e dos anjos era de Camões - por causa da música, sem dúvida. Mas deixa pra lá. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Para efeitos de comparação, aqui vai um trecho da Carta aos Coríntios: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. O amor é paciente, é benigno, o amor não inveja, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais há de acabar. Tempo haverá em que as profecias desaparecerão, as línguas cessarão e a ciência será abolida, e só o amor permanecerá. Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, apreciava como menino. Quando me tornei homem, dei de mão as coisas que eram de menino. Porque agora vemos como num espelho, obscuramente, e então veremos face a face; agora conheço em parte, e então conhecerei como sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor. Porém, dos três, o maior é o amor. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Em muitas Bíblias, encontraremos a palavra &lt;em&gt;caridade&lt;/em&gt; no lugar de amor. É porque o texto original era em grego, e a língua grega tinha quatro palavras para designar amor, sendo que, no momento, só me lembro de três. &lt;em&gt;Eros&lt;/em&gt; é o amor sentimental e sexual, o amor de amantes; &lt;em&gt;filos&lt;/em&gt; é a amizade; &lt;em&gt;ágape&lt;/em&gt; (vertido para o latim,&lt;em&gt; cáritas&lt;/em&gt;) é o amor de que fala o apóstolo, o amor desinteressado que deseja o bem de todos. Algo, como se vê, infinitamente maior do que a idéia que se tem de "caridade" hoje, que consiste basicamente em dar esmola aos necessitados. Mas creio que, em sua essência, o amor, quando é verdadeiro, tem basicamente as mesmas características, seja qual for o tipo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Até onde pude ver, a única parte em toda a letra que não é de Camões nem de São Paulo é "Estou acordado todos dormem". Uau! Por que esse pequeno verso, jogado no meio de tanta coisa linda, teria mexido tanto comigo? Tanto quanto o outro sobre "solitário andar por entre a gente", que eu igualmente entendia, ao menos entendia o suficiente para aplicá-lo a mim, aos meus assuntos, aos meus dramas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Por estranho que pareça, o amor não requer necessariamente um ser que ama e outro que é amado, e não estou falando apenas de amar sem ser correspondido. Ao menos algumas pessoas sabem o que é sentir o amor dentro de si sem ter absolutamente ninguém a quem dirigi-lo, e, no entanto, senti-lo, de forma inconfundível. É como se ele estivesse à espera de algo, mas, de vez em quando, essa espera o deixasse impaciente e ele reclamasse nossa atenção, mesmo não havendo ninguém a quem dedicá-lo. E, como em tantas outras coisas, nisso as pessoas são diferentes. Em algumas, o amor dentro delas é como um pequeno regato que corre de forma constante e não incomoda muito - o que não significa que não possa, no momento oportuno, transformar-se num rio Amazonas, mas normalmente ele não é assim. Em outras, esse amor expectante é um oceano, às vezes plácido, às vezes turbilhonante, mas sempre um oceano, algo tão imenso que não se entende como cabe dentro da gente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Acho que, na realidade, o amor nasce com a gente, acho que o levamos conosco a vida inteira, como um botão que não desabrocha até o momento em que é tocado pela mão certa. E pode acontecer de levarmos o botão para o túmulo conosco, ainda fechado... Porém, uma vez aberta, essa flor nunca, jamais murcha, ainda que sejamos obrigados a carregá-la na travessia do deserto. Sua beleza nos inspira, seu perfume nos dá energia, e seus espinhos por vezes nos machucam... Mas não há outra maneira de poder dizer que realmente vivemos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2633385296277851885?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2633385296277851885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2633385296277851885' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2633385296277851885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2633385296277851885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/04/as-quatro-estaes.html' title='As Quatro Estações'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R_OpjrjBjyI/AAAAAAAAAEQ/aYwt9_5IR5c/s72-c/asquatro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-8168289738147331212</id><published>2008-03-23T10:19:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T11:25:07.207-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ser humano'/><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;color:#ffffcc;"&gt;A antropologia e a biologia nos informam que o ser humano evoluiu para viver em sociedade, isto é, para estar na companhia de outros membros de sua espécie. Até aí, nada de estranho: inúmeras outras espécies também são gregárias por natureza, vivendo em grupos que variam em grau de organização desde simples bandos liderados pelo animal mais forte, até verdadeiras sociedades, em sentido próximo ao que nós, humanos, damos a essa palavra, como é o caso de abelhas ou formigas. Entretanto, esse é mais um ponto que faz de nós, a única espécie do gênero &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Homo &lt;/span&gt;a sobreviver à última Era Glacial, um caso único, porque, como somos infinitamente mais complexos que qualquer de nossos irmãos do reino animal, também a questão da companhia assume para nós implicações que não tem para nenhuma outra espécie. Muitos seres podem ter necessidade da companhia de seus semelhantes, por razões de sobrevivência; apenas nós temos o desejo de companhia, mesmo quando, do ponto de vista puramente prático, ela não seja necessária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;color:#ffffcc;"&gt;E o que acontece quando vivemos cercados de tantas pessoas, na escola, no trabalho, na rua, até em casa, e isso, paradoxalmente, não alivia nosso sentimento de solidão? Sempre me pergunto se muita gente sente isso, ou se é outra peculiaridade minha. É uma questão que fica ainda mais evidente hoje em dia, quando a tecnologia pôs ao nosso alcance uma série de instrumentos capazes de permitir a comunicação instantânea entre pessoas até mesmo em lados opostos do globo terrestre - comunicação à qual, se nem todos têm acesso, os que o têm podem utilizar a qualquer momento. Então, por que isso tudo só faz aumentar a sensação de isolamento que tantas vezes eu sinto me afligir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A explicação é que, ainda que, bem ou mal, todo mundo no Brasil fale português, com a maioria (quase totalidade) das pessoas, eu me sinto como se não falássemos realmente a mesma língua. Tudo o que dizem me parece tão raso, tão sem sentido, tão sem importância, que, embora eu reconheça que procurei por essa companhia, no momento em que a tenho, fico impaciente para deixá-la, porque não a sinto como verdadeira &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;companhia&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify; COLOR: rgb(255,255,204)"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Até onde vale a pena ir em busca de uma mente semelhante?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-8168289738147331212?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/8168289738147331212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=8168289738147331212' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8168289738147331212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8168289738147331212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/03/solido.html' title='Solidão'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-6642163357430712079</id><published>2008-03-09T01:12:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T11:36:13.706-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europe'/><title type='text'>Dreamer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R9NWP_dkl_I/AAAAAAAAAEA/JTSXqz2Vg8Q/s1600-h/gasometro_por04.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175575229512325106" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R9NWP_dkl_I/AAAAAAAAAEA/JTSXqz2Vg8Q/s200/gasometro_por04.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;(Joey Tempest/Europe)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He is down by the riverside&lt;br /&gt;Late one night&lt;br /&gt;He's tryin' to count the stars&lt;br /&gt;In each of the signs.&lt;br /&gt;All alone by the riverside&lt;br /&gt;And time passes by&lt;br /&gt;Gathering thoughts of the past&lt;br /&gt;And maybe he'll cry...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So they say he's a madman&lt;br /&gt;And he don't understand&lt;br /&gt;But I know that he's tryin' hard&lt;br /&gt;To act like a man.&lt;br /&gt;All those years he has suffered, my friends&lt;br /&gt;All those years of pain&lt;br /&gt;But I don't think he knows for sure&lt;br /&gt;If those years were in vain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He's a dreamer&lt;br /&gt;And he's fightin' for his life.&lt;br /&gt;He's tryin' to understand&lt;br /&gt;He's a dreamer&lt;br /&gt;But he wants to carry on&lt;br /&gt;Yet I know he's a lonely man.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-6642163357430712079?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/6642163357430712079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=6642163357430712079' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6642163357430712079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6642163357430712079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/03/dreamer.html' title='Dreamer'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R9NWP_dkl_I/AAAAAAAAAEA/JTSXqz2Vg8Q/s72-c/gasometro_por04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-4252911085002974836</id><published>2008-01-28T15:02:00.001-02:00</published><updated>2010-12-26T11:03:16.307-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beleza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heavy metal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='condição humana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hammerfall'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinismo'/><title type='text'>At the End of the Rainbow</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54LbQQfhUI/AAAAAAAAACY/fDK_fEPnIHc/s1600-h/legacy+of+kings.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160574785861682498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54LbQQfhUI/AAAAAAAAACY/fDK_fEPnIHc/s320/legacy+of+kings.jpg" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;As long as I remember&lt;br /&gt;We've marched across this land&lt;br /&gt;Oh, oh...&lt;br /&gt;Reached for a new horizon&lt;br /&gt;Pulled by the killing hand&lt;br /&gt;Oh, oh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;All fed up with lies&lt;br /&gt;The time has come&lt;br /&gt;To break these chains and fly&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here we stand, bound forever more&lt;br /&gt;We're out of this world, until the end&lt;br /&gt;Here we are, mighty, glorious&lt;br /&gt;At the end of the rainbow&lt;br /&gt;With gold in our hands&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We know the treasure lies&lt;br /&gt;Beyond the pouring rain&lt;br /&gt;Oh, oh...&lt;br /&gt;Our quest will last forever&lt;br /&gt;For you it's all the same&lt;br /&gt;Oh, oh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No one can deny&lt;br /&gt;Our future's set&lt;br /&gt;To reach above the sky&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here we stand, bound forever more&lt;br /&gt;We're out of this world, until the end&lt;br /&gt;Here we are, mighty, glorious&lt;br /&gt;At the end of the rainbow&lt;br /&gt;With gold in our hands&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Let's fly away through the rain&lt;br /&gt;Fly high, to ease the burning pain&lt;br /&gt;Oh, the colours fading out&lt;br /&gt;The light is shining in the night&lt;br /&gt;It's up to you, it's worth the fight&lt;br /&gt;Search before the colours fade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Here we stand, bound forever more&lt;br /&gt;We're out of this world, until the end&lt;br /&gt;Here we are, mighty, glorious&lt;br /&gt;At the end of the rainbow&lt;br /&gt;With gold in our hands&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;*       *       *&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#666600;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Ser humano é uma coisa muito complicada. Sei que não estou dizendo novidade alguma, mas fazer o que se meus pensamentos andam girando numa órbita que tem esse manjadíssimo fato como eixo central? Eu até poderia dizer que ser humano é complicado, a menos que você se contente em ser um sujeito comum, sem maiores aspirações intelectuais ou artísticas, do tipo que trabalha, assiste futebol, come, dorme, e pouco mais - mas acho que nem mesmo sendo um desses dá para escapar da complicação homérica inerente à condição humana. A mim, pode parecer que quem se contenta com isso tem uma vida simples (simples demais para o meu gosto...), mas na realidade é provável que mesmo esses se vejam às voltas com seus próprios problemas, que para eles também podem parecer bem complicados. &lt;em&gt;That's it&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não endoidar no meio disso tudo, acredito que a atitude que temos perante nós mesmos é de fundamental importância. Essa atitude, pelo menos para mim, está sintetizada na resposta que a criatura dá a si própria quando se pergunta: "Vem cá, por que é que você está enfrentando tudo isso? Por que se dá a todo esse trabalho?" E, chamem-me de ingênuo se quiserem, não dou a mínima: para mim é preciso acreditar que o &lt;em&gt;bem &lt;/em&gt;ainda é possível, que a &lt;em&gt;beleza &lt;/em&gt;é real, que podemos ser &lt;em&gt;gentis &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;honestos&lt;/em&gt; uns com os outros, que é preciso, sim, ter princípios e tentar agir de acordo com eles - &lt;em&gt;tentar&lt;/em&gt;, eu disse, pois somos todos falhos e limitados. É fácil não acreditar em nada, dizer que vivemos num mundo podre, que ninguém presta, que nada vale a pena, tornar-se cínico e amargo: é fácil, facílimo, é a coisa mais fácil do mundo, porque, se você se convence de que é assim, tem a desculpa perfeita para ficar destilando seu azedume e não mover uma palha para fazer algo de bom por si mesmo, pelos outros ou pelo planeta. E ainda passa por inteligente aos olhos de muitos!... Não que isso faça diferença para alguém, mas, de mim, esses tipos só receberão desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguindo ou não chegar ao fim do arco-íris, independentemente disso é preciso segui-lo, é preciso levantar a cabeça, fazer o que pudermos para encorajar nossos companheiros que estão desanimando - e encorajar o outro sempre renova também nossas próprias forças - e ir em frente. Muitos vão ficar pelo caminho, e, se optarem por virar cínicos azedos, nada mais poderemos fazer por eles. Se há ou não ouro ao final do caminho, talvez nunca venhamos a saber, mas, se pensarmos bem, viver seguindo um arco-íris não vale mais que todo o ouro do mundo? Alcançar ou não o objetivo final é uma coisa incerta, como quase tudo nesta vida, mas, mesmo que não o alcancemos, só o fato de termos tentado honestamente e com o coração, já será o bastante para que na hora da morte possamos concluir que não vivemos inutilmente&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-4252911085002974836?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/4252911085002974836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=4252911085002974836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4252911085002974836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4252911085002974836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/01/at-end-of-rainbow.html' title='At the End of the Rainbow'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54LbQQfhUI/AAAAAAAAACY/fDK_fEPnIHc/s72-c/legacy+of+kings.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-4870943397880457945</id><published>2008-01-09T14:44:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T11:15:51.539-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Michael J. Gelb'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beleza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='informação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leonardo da Vinci'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Leonardo e o "Lixo"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54UawQfhZI/AAAAAAAAADA/Vc0H0Csyniw/s1600-h/vitruviano.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#ffffcc;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160584672876397970" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54UawQfhZI/AAAAAAAAADA/Vc0H0Csyniw/s200/vitruviano.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;em&gt;"Há cem anos, você teria de escalar uma montanha na Índia para aprender a meditar; hoje você pode fazer um curso pela Associação Cristã de Moços, copiar informações pela internet ou escolher entre centenas de livros na livraria mais próxima. Ao mesmo tempo, o excesso de informações contribui para o cinismo perverso, a fragmentação e o sentimento de desamparo. Temos mais possibilidades, mais liberdade, mais opções que quaisquer outros que viveram em nosso planeta. Mas também temos de nos haver com mais detritos, mais mediocridade, mais lixo do que jamais existiu."&lt;/em&gt; (Michael J. Gelb)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A citação acima é do livro &lt;em&gt;Aprenda a pensar com Leonardo da Vinci&lt;/em&gt;, que, apesar de um certo ranço de auto-ajuda, merece uma leitura, tanto para os que já são fãs do maior gênio do Renascimento quanto para aqueles que ainda não sabem muito sobre ele e estão à procura de um ponto de partida - e que bom se tomarem o livro de Gelb como ponto de partida, ao invés de algum delírio danbrowniano qualquer. &lt;em&gt;Aprenda a pensar...&lt;/em&gt; inclui uma breve biografia de Leonardo e, partindo dessa fonte de inspiração, guia o leitor através de pensamentos e exercícios mediante os quais Gelb propõe a quebra de certos hábitos mentais limitadores que a maioria das pessoas desenvolve sem perceber ao longo da vida. São coisas, no fundo, simples, como treinar os sentidos para reconhecer e apreciar a beleza em vez de passar batido por ela, ou dar liberdade para o nosso pensamento criativo funcionar, sem amarrá-lo com preconceitos ou idéias prontas. Todas as dicas são valiosas, mas o que disparou o meu "gatilho" desta vez foi essa citação, que reli hoje, copiada numa velha agenda na época em que li o livro. A questão que propus a mim mesmo foi: será que, a exemplo de certos produtos químicos, também a informação pode ser remédio ou veneno, dependendo da dose?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Diziam os filósofos do mundo greco-romano que a moderação em todas as coisas é a chave de tudo, ou, o que quer dizer o mesmo, que &lt;em&gt;todos os extremos são viciosos&lt;/em&gt;. O que observo no dia-a-dia é que com a informação não é diferente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lidar com idéias - ressalvando que informação não é idéia, embora seja o ponto de partida mais comum para tê-las - é essencial para que o cérebro humano torne-se e permaneça ágil, pronto e capaz, e não só nos campos diretamente relacionados às tais idéias. Gente acostumada durante muito tempo exclusivamente a atividades braçais costuma demonstrar uma indigência mental que chega a causar espanto. Já lidei com pessoas que, confrontadas com as perguntas mais simples possíveis ("Sua data de nascimento, por favor?"), simplesmente abrem a boca e te olham com os olhos vidrados, como se você tivesse pedido para explicarem a teoria da relatividade de Einstein. Outras pessoas, que trabalham nas mesmas atividades e durante o mesmo tempo que as primeiras, mostram-se espertas e desenvoltas. A diferença? Essas pessoas, às vezes com &lt;em&gt;menos&lt;/em&gt; escolaridade que aquelas outras, não deixam que o trabalho braçal que lhes dá o pão seja &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; em suas vidas: têm o hábito de ler jornais, ouvir rádio, informar-se de outras formas, e de conversar com seus colegas de trabalho e familiares sobre a informação assim obtida, debater, desenvolver idéias, formar opiniões. Isso mantém os neurônios fortes e alertas, prontos para qualquer situação que os solicite. Informação é &lt;em&gt;bom&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Também já vi adolescentes e jovens adultos que, tendo recebido a melhor educação formal possível, com acesso a todas as facilidades do mundo moderno, conectados à internet, muitos deles já tendo viajado por vários países, parecem andar sempre com aquele ar vagamente entediado de cachorro bassê, mergulhados numa apatia profunda, num tipo todo especial de alienação que não permite o surgimento de uma fagulha de interesse ou entusiasmo por algum assunto ou atividade, qualquer que seja. Bombardeados dia e noite por milhões de mensagens de todos os tipos imagináveis, e sem preparo intelectual para separar o joio do trigo, esses jovens (e, sejamos sinceros, também outros não tão jovens) acabam jogando a toalha, preferindo fechar-se na concha de um mundo onde nada tem importância, nada vale a pena, e a vida resume-se a uma grande perda de tempo. Quem costuma agradecer por isso são traficantes de drogas e outros tipos que encontram maneiras de lucrar em cima de pessoas que buscam algum sentido para suas vidas, ainda que das maneiras mais estúpidas imagináveis. Hum... Informação é &lt;em&gt;bom?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Informação é bom, dependendo do que se faça com ela. E o que cada pessoa irá fazer com a informação que recebe, depende das ferramentas que possua para tanto. Quando é bem assimilada, submetida a uma análise crítica, relacionada com o que já sabemos sobre o assunto - e sobre outros assuntos - e somada ao nosso repertório mental, a informação transforma-se em &lt;em&gt;conhecimento&lt;/em&gt;, e nos enriquece, robustece, torna mais lúcidos, inteligentes e capazes de compreender o universo. Informação é como alimento. Corretamente processada (digerida?), passa a fazer parte do nosso todo. Porém, informação em excesso e/ou de má qualidade não pode ser assimilada como deveria, e, além de não nos trazer proveito, ainda pode nos fazer passar mal...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Quando escrevi acima que o processo de assimilação da informação requer que ela seja correlacionada com o que sabemos não só sobre o mesmo assunto, mas também sobre outros assuntos, não foi só para encompridar a frase. A meu ver, interdisciplinaridade, por mais que seja uma palavra comprida e deselegante, é também essencial, e essa é uma razão a mais para ser fã de Leonardo. Claro que pouquíssimos de nós teriam condições de se igualar a ele, que era pintor, escultor, arquiteto, inventor, geólogo, matemático, naturalista, filósofo, músico e cozinheiro de mão cheia, mas o importante aqui é ver as maravilhas de que nos tornamos capazes quando nos deixamos invadir pelo desejo de saber e de realizar, por um deslumbramento infantil e uma curiosidade sem limites perante o mundo e tudo o que nele existe, e derrubar esse pensamento rasteiro que desmembra o conhecimento humano em áreas incomunicáveis entre si e acredita que cada pessoa só deveria aprender o que vai "usar". Esse é um dos mais graves dentre os hábitos mentais limitadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-4870943397880457945?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/4870943397880457945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=4870943397880457945' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4870943397880457945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4870943397880457945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/01/h-cem-anos-voc-teria-de-escalar-uma.html' title='Leonardo e o &quot;Lixo&quot;'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54UawQfhZI/AAAAAAAAADA/Vc0H0Csyniw/s72-c/vitruviano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2870015518799290049</id><published>2008-01-04T13:48:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T11:04:57.537-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='persistência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='confiança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Amor e genéricos</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" height="100%" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" height="250" valign="top" background="" width="100%" unselectable="off"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Estamos mergulhados num mundo onde as coisas chegaram a um ponto, em que muitas vezes as pessoas ficam com medo diante da possibilidade concreta de que um "relacionamento" (por sinal, odeio essa palavra: parece coisa de artigo de revista &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt;) se transforme em &lt;strong&gt;amor&lt;/strong&gt;. Eu entendo amor como o que acontece quando duas pessoas se dão as mãos após terem deixado cair todas as máscaras e armaduras e, mesmo assim, continuam gostando de olhar nos olhos uma da outra, sentindo-se bem lado a lado e achando tentadora a idéia de terem um único futuro em vez de dois futuros distintos - tudo isso de forma sincera, inteira, sem "e se" nem "talvez". O problema é que a mídia plantou em muitas cabeças a idéia de que uma relação de amor só é boa se tudo for perfeito, um interminável e maravilhoso mar de rosas - e, é claro, isso não existe na vida real. Por conta disso, a maioria simplesmente desiste e "termina" quando se depara com o primeiro obstáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos reconhecer: é bem mais fácil ficar nesse mundinho fútil dos "relacionamentos" do que &lt;em&gt;amar de verdade&lt;/em&gt;, porque o amor, embora traga recompensas que nenhuma outra coisa na vida humana pode proporcionar, não oferece essas recompensas de graça - aliás, nada que valha a pena é de graça, isso é uma lei tão velha quanto o mundo: exige esforço e alguns sacrifícios, coisas que cada vez menos pessoas estão dispostas a fazer. Sempre vai ser mais fácil entrar num novo "relacionamento" a cada poucos meses, pular fora na primeira dificuldade e partir para o próximo da fila. Claro, viver desse jeito causa vazio e angústia, mas para que se preocupar com isso quando o mundo moderno oferece tantos paliativos para disfarçá-los? É só se encharcar de álcool ou de qualquer outra droga, afundar no trabalho como um condenado, dedicar-se ao sexo desvinculado de sentimento, descontar a frustração nas compras, "malhar" sem parar... Há muletas para todo tipo de aleijado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td height="1" unselectable="on"  style="font-size:1pt;"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2870015518799290049?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2870015518799290049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2870015518799290049' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2870015518799290049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2870015518799290049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2008/01/amor-e-genricos.html' title='Amor e genéricos'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-157949229320585975</id><published>2007-12-25T10:16:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T01:12:37.762-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Índios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54P7wQfhWI/AAAAAAAAACo/prhhmN_VqmU/s1600-h/indios.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160579742253942114" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54P7wQfhWI/AAAAAAAAACo/prhhmN_VqmU/s200/indios.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt; Todo final de tarde de domingo, preciso cumprir o ritual de me dirigir à estação rodoviária de São Leopoldo, a fim de retornar para a cidade onde trabalho. Há sempre uma certa melancolia nisso, já que significa voltar para um local e um trabalho onde, se pudesse escolher, não estaria. Entretanto, a viagem em si, que para muita gente seria aborrecida, eu consegui transformar num momento agradável: reclino o banco, ponho os fones nos ouvidos e, durante essa hora e meia, "viajo" também no sentido mental do termo, e, embalado pela música, ponho-me a pensar em milhões de coisas, das mais simples às mais profundas, o que sempre me faz chegar ao destino com novas idéias ou, no mínimo, com a cabeça um pouco mais clara. Naturalmente que é preciso uma certa dose de sorte, pois ocasionalmente, dependendo dos companheiros de viagem que se tenha, o ônibus pode virar uma feira livre... Mas não é esse o meu tema de hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Na maioria das vezes, há meia dúzia de crianças pedintes circulando pela rodoviária, crianças que não se distinguiriam de dezenas ou centenas de outras espalhadas por toda a cidade, não fosse o fato de seus traços fisionômicos, tom de pele, tipo de cabelo e modo de falar as identificarem como descendentes de índios, o que, pelo menos para mim, dá muito em que pensar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Parece haver algum método e organização no &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; dessas crianças: enquanto algumas se posicionam estrategicamente junto aos guichês de venda de passagens para tentar conseguir as moedas que os passageiros porventura recebam de troco, outras percorrem a área de espera entre as duas fileiras de boxes, às vezes pedindo uns trocados, outras vezes tentando vender peças de artesanato - feitas com inegável habilidade, mas sem praticamente nada a ver com qualquer coisa que represente uma cultura verdadeiramente indígena. A impressão que se tem é de que esses meninos e meninas foram orientados - quem sabe, treinados - para &lt;em&gt;pedir&lt;/em&gt;, aí usado como verbo intransitivo, pois pedir &lt;em&gt;o que&lt;/em&gt; é o de menos. Parece que o importante é pedir tudo o que for possível, mesmo sabendo de antemão que é impossível receber, para depois verificar se o obtido serve para alguma coisa ou não. Certa vez um menino de uns seis anos me disse daquele jeito trôpego de quem não está acostumado a falar português: "Me... dá... es... se... ra... dinho?" (apontando para meu &lt;em&gt;discman&lt;/em&gt;) Em outra ocasião, eu estava trocando as pilhas do citado aparelho quando outro menino me pediu as pilhas velhas. Nem faço idéia do que pretendia fazer com elas. De resto, embora trabalhem, de certa forma, em equipe, o senso de solidariedade e companheirismo não parece estar muito em alta: uma vez dei um pacote de biscoitos para dois garotos, e imediatamente tive que apartá-los, pois os dois começaram a brigar por ele na minha frente mesmo, sem que lhes ocorresse a idéia de dividir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;O que mais me pergunto é se essas crianças têm alguma consciência do fato de que a terra onde elas e seus pais hoje levam essa existência precária, é a mesma da qual seus ancestrais um dia foram donos e senhores. É óbvio que têm pouco estudo, se é que têm algum, e, de mais a mais, não me consta que a educação formal oferecida em nossas escolas enfatize muito a triste história do destino que tiveram os habitantes originais do que hoje chamamos de nosso país, mas será que alguma coisa nesse sentido é passada de pais a filhos? Será que essas crianças sabem o que é ter uma história, por mais revoltante que seja? Não se preocupem, não vou desfiar aqui aquele discurso batido e absurdamente ingênuo que quase sempre aparece quando se fala nos brasileiros nativos: sei muito bem que a idéia de um "paraíso terrestre, habitado por povos inocentes e de coração puro, que viviam em perfeita harmonia com a natureza e uns com os outros" é uma rematada tolice, e que, muito antes de o primeiro europeu aqui pôr o pé, o continente americano já estava cansado de conhecer guerra, miséria, escravidão, exploração do homem pelo homem e todas essas outras mazelas ditas "civilizadas", pois o homem é o homem em qualquer lugar e seja qual for a raça. Porém, sempre é triste observar a perda da dignidade de qualquer ser humano, quanto mais a de povos inteiros. Mesmo que sua realidade estivesse longe de qualquer coisa paradisíaca, fosse por vezes difícil e violenta, esses povos tinham seu orgulho, sua cultura própria, seus meios de subsistência e sua liberdade - enfim, tinham as coisas essenciais que são, ou deveriam ser, direitos inalienáveis de todo ser humano, e diante das quais todos os confortos da "civilização" não passam de miudezas. E coisas que, uma vez perdidas, dificilmente são recuperadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-157949229320585975?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/157949229320585975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=157949229320585975' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/157949229320585975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/157949229320585975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/12/ndios.html' title='Índios'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R54P7wQfhWI/AAAAAAAAACo/prhhmN_VqmU/s72-c/indios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-4344090451654082150</id><published>2007-12-11T23:58:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:58:52.279-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luís Fernando Veríssimo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='antropologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marion Zimmer Bradley'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rei Artur'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Amando como homem</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRa9U2ltdmI/AAAAAAAAAT8/cjdlP3rm2P0/s1600/Lady%2Band%2BKnight%2B001.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 280px; DISPLAY: block; HEIGHT: 198px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554835356356802146" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRa9U2ltdmI/AAAAAAAAAT8/cjdlP3rm2P0/s400/Lady%2Band%2BKnight%2B001.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#330000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Numa recent&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R8G5ylxoCyI/AAAAAAAAAD4/J8dYj_TQYYw/s1600-h/Lady+and+Knight+001.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;e noite de insônia, sem nada de especial a fazer, peguei na minha estante de livros o primeiro volume de &lt;em&gt;As Brumas de Avalon&lt;/em&gt; e pus-me a reler alguns trechos meio a esmo. Faz alguns anos que li esse ambicioso romance em quatro volumes, que a autora, a americana Marion Zimmer Bradley, definiu como uma versão das lendas arturianas narrada do ponto de vista das mulheres. De fato, o livro tem um tom marcadamente feminino e, não raro, feminista. Não se pode negar que Bradley tinha um estilo hipnotizante, que tornava quase impossível não gostar de suas histórias, mas nesse, como em outros de seus livros, há detalhes que incomodam o leitor do sexo masculino. A autora põe muita ênfase no fato (que é fato: não tenho a mínima intenção de discuti-lo) de que existem sentimentos, vivências e idéias que as mulheres conhecem e que os homens jamais serão capazes de compreender - mas não parece lhe ocorrer em momento algum que talvez a recíproca também seja verdadeira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Certa vez, num período em que estava desempregado, trabalhei em sistema &lt;em&gt;free lancer&lt;/em&gt; para uma moça, advogada, que estudava história e sociologia por &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt; e estava escrevendo um livro sobre "a condição feminina através dos tempos e suas repercussões no Direito contemporâneo". Meu trabalho consistia em ler trechos de diversos livros, fazer resumos, digitar e formatar o que ela escrevia, e assim por diante. Certa tarde em que se sentia particularmente cansada de sua rotina, que incluía o trabalho como advogada, dar aulas na faculdade, e ainda o livro, ela desabafou comigo que às vezes tinha vontade de "assumir seu papel de gênero" - o que, em bom português, quer dizer virar uma dondoca inútil. Olhei bem para ela e respondi que devia considerar-se com sorte de &lt;em&gt;poder&lt;/em&gt; fazer isso, se um dia realmente quisesse, pois nós, homens, nem esse direito temos. Na hora, ela riu muito, mas tenho esperança de que mais tarde tenha refletido um pouco a respeito. O que quero dizer é isto: imagino que ser mulher não seja nada fácil, mas seria bom se fosse lembrado com mais freqüência que ser homem também não o é. Nós nunca vamos ter idéia do que é o martírio periódico de um ciclo menstrual, mas, da mesma forma, elas jamais serão capazes de imaginar o que é levar um chute no saco. Se ambos os lados simplesmente reconhecessem isso, metade das dificuldades no relacionamento entre os sexos estaria aplainada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Acreditem, moças, pode ser revoltante viver numa sociedade que quer fazer com que vocês representem um papel de submissas, frágeis e dependentes - mas não é nada fácil viver nessa mesma sociedade que nos cobra que temos que ser fortes &lt;em&gt;o tempo todo&lt;/em&gt;. Pior: a concepção de "força" aí envolvida é ridícula. Parece que demonstrar ternura a quem se gosta não é um comportamento que se admita naquilo que Luís Fernando Veríssimo denomina jocosamente de HQH ("homem que é homem"), parece que ser forte não é compatível com doçura ou generosidade, parece que o cara só será considerado "macho" pelos seus pares se for bronco e insensível. O adolescente que, numa daquelas rodas de pátio de escola, não se gabar da quantidade de garotas com quem "ficou", preferindo declarar que gosta de &lt;em&gt;uma&lt;/em&gt; e só quer ela, será considerado, no mínimo, esquisito pelos colegas. Há até quem sustente que o natural no ser humano, ou ao menos nos homens, seria a poligamia, como acontece com a maioria das espécies na natureza. A explicação para a suposta tendência masculina para a poligamia e feminina para a monogamia seria então biológica: espermatozóides são baratos, já óvulos são caros, ou, melhor explicando, cada um dos sexos tem uma maneira diferente de garantir a perpetuação de seu patrimônio genético, que é o objetivo final da reprodução e, por conseguinte, de tudo o que direta ou indiretamente derivou dela, como essa coisa maravilhosa, terrível e totalmente sem sentido que nós, humanos, convencionamos chamar de amor. Para o macho, a maneira mais eficiente de passar adiante os seus genes seria fazendo sexo com o maior número possível de parceiras. Já a fêmea, que tem que arcar com todas as dificuldades da gestação e do cuidado com a prole, precisaria, por razões práticas, ser mais seletiva na escolha de parceiros. Porém, quem defende essa teoria esquece um detalhe fundamental: ao contrário dos outros animais, o ser humano tem livre arbítrio. Pode escolher agir assim ou assado, não precisa necessariamente ser um escravo dos instintos - embora também possa escolher ser isso, se quiser. O que eu queria aqui era apenas ressaltar como a combinação de elementos biológicos e culturais, encarados de uma maneira torta, criou na sociedade ocidental moderna uma idéia de "ser homem" que não satisfaz àqueles que, mesmo correndo o risco de serem tachados de ingênuos, ainda querem acreditar nos valores humanos essenciais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A noção comumente aceita do que seria "masculinidade" é mais uma entre tantas pedras no caminho de quem, embora nascido com testículos, ousa ser romântico, sente a necessidade de entregar-se para valer quando gosta de alguém, ama sem meias medidas, não consegue gostar "um pouco", quer de verdade fazer a pessoa feliz, esforça-se por ser totalmente reto, claro, limpo e sincero, e só não se doa mais quando a moça não o permite. O amor parece ser um pouco como a política do Brasil: tanto num quanto na outra, parece que quem teima em agir com honestidade tem uma vida muito mais difícil do que quem opta pela pilantragem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-4344090451654082150?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/4344090451654082150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=4344090451654082150' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4344090451654082150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/4344090451654082150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/12/amando-como-homem.html' title='Amando como homem'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/TRa9U2ltdmI/AAAAAAAAAT8/cjdlP3rm2P0/s72-c/Lady%2Band%2BKnight%2B001.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-6243375446677058472</id><published>2007-12-01T09:59:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:35:45.680-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beleza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Gethsemane</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R1FbXG84uhI/AAAAAAAAACI/_g_0uA2wGoc/s1600-R/wolf.bmp"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#ffff99;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138989102367554066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R1FbXG84uhI/AAAAAAAAACI/unYDmM1EsSs/s320/wolf.bmp" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#ffff99;"&gt; &lt;span style="font-size:100%;color:#ffffcc;"&gt;(Tuomas Holopainen / Nightwish)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Toll no bell for me, Father&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;But let this cup of suffering pass from me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Send me no shepherd to heal my world&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;But the Angel - the dream foretold&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Prayed more than thrice for You to see&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;The wolf of loneliness in me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;...not my own will but Yours be done...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;You wake up, where's the tomb?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Will Easter come, enter my room?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;The Lord weeps with me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;But my tears fall for you&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Another Beauty&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Loved by a Beast&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Another tale of infinite dreams&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Your eyes they were my paradise&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Your smile made my sun rise&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Forgive me, for I don't know what I gain&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Alone in this garden of pain&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Enchantment has but one truth:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;I weep to have what I fear to lose&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;You wake up, where's the tomb?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Will Easter come, enter my room?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;The Lord weeps with me&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;But my tears fall for you&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;"I knew you never before&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;I see you never more&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;But the love, the pain, the hope, O beautiful one&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Have made you mine, 'till all my years are done"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Without you&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;The poetry within me is dead&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-6243375446677058472?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/6243375446677058472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=6243375446677058472' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6243375446677058472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/6243375446677058472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/12/gethsemane.html' title='Gethsemane'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/R1FbXG84uhI/AAAAAAAAACI/unYDmM1EsSs/s72-c/wolf.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-8566737392039450869</id><published>2007-11-04T16:00:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:47:15.232-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nomes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sófocles'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='línguas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shakespeare'/><title type='text'>Todos os Nomes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;"Um nome, que há num nome?", pergunta-se na peça de Shakespeare uma Julieta que novas e estranhas emoções tornam propensa a rompantes filosóficos pouco comuns para os seus 14 anos. E prossegue: "O que chamamos rosa, com qualquer outro nome teria o mesmo doce aroma". A rigor, essa sentença tão simples é sem dúvida verdadeira, mas, ainda que a ligação entre o nome e a coisa que ele designa seja fruto de mera convenção, não se pode pôr em dúvida que se trata de uma ligação extremamente estreita e forte. Num certo sentido, o nome &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; a coisa, e vice-versa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Por essa razão, tenho para mim que uma das mais importantes decisões que nossos pais tomam ao longo de suas (e nossas) vidas, é a escolha do nome que nos hão de dar. Um nome forte, ainda que simples, e, se possível, escolhido também pelo seu significado, um nome que, depois de adultos, nos diga algo sobre nós mesmos, e com o qual nos sintamos à vontade como se fosse uma segunda pele, é um presente de valor inestimável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;É inevitável refletir sobre isso quando, no trabalho, lida-se diariamente com dezenas de pessoas, olha-se seus documentos, tomando contato com tantos nomes e com uma parte das histórias dessas pessoas. E é curioso observar como as preferências na hora de dar nomes às crianças parecem ter variado ao longo do tempo. Pessoas idosas tendem a ter nomes compridos, como se, três gerações atrás, os jovens pais de então fizessem questão de dar aos seus rebentos um mínimo de quatro sílabas: são Enedinas, Nazeazenos, Ornalinas, Astrogécilos, Dorcelinas... Suponho que, na época, isso fosse considerado elegante. Em todo caso, embora muitos desses nomes não sejam encontráveis naqueles interessantíssimos livros que investigam a origem e o significado dos nomes próprios, eles foram provavelmente dados como homenagem a alguma pessoa que os teve antes; de alguma forma, têm sua história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;O que realmente dá pena é ver os nomes que muitos pais de tempos mais recentes deram e estão dando aos filhos. Mesmo sem me interessar por futebol, é fácil notar que ouvir a escalação dos times é uma das melhores maneiras de se tomar contato com nomes "exóticos". O que um sujeito chamado Richarlyson, Odvan ou Rosinei iria fazer com um nome desses se não se tornasse um jogador de futebol? Até compreendo que, para seus pais - provavelmente gente simples, de poucos recursos e poucas letras - tenha parecido uma boa idéia escolher (ou inventar...) nomes "diferentes", que fossem "distinguir" os filhos em meio às multidões. Nunca achei oportuno perguntar a alguém com um nome desse tipo sua opinião, mas, pessoalmente, eu preferiria me chamar João (ainda que só na minha turma da escola houvesse mais três) e poder abrir um livro e descobrir que meu nome significa "Deus me Favorece", do que ter um nome que ninguém mais tem e que não significa coisa alguma, pelo simples fato de que não existia até meus pais sentarem diante de um tabelião e declararem que eu me chamaria assim ou assado. Para pior, tais nomes não serão únicos por muito tempo: já deve haver por aí pais/torcedores tirando certidão de nascimento para seus pequenos Richarlysons...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Até nomes de origem clássica podem tornar-se de gosto duvidoso, dependendo do motivo pelo qual são dados. Que o diga a pequena multidão de Édipos e Jocastas que hoje devem estar no fim da adolescência e que assim se chamam por obra e graça de certo autor de telenovelas que, lá pelo fim dos anos 80, decidiu se inspirar na obra de Sófocles para escrever mais um folhetim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;O pior de tudo são os falsos estrangeiros. São tantos Máicons, Diônatans, Uésleis, Tiarles, que carregarão pela vida afora o peso dessa combinação de pouca cultura com a vontade de pôr nomes diferentes. Meses atrás, atendi no meu local de trabalho um jovem de seus 20 anos cujo RG o identificava como "Diéssi" - na certa, o pai simpatizava com algum personagem de filme ou seriado americano conhecido por Jesse. Tive ímpetos de procurar algumas palavras de consolo para dizer ao rapaz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-size:0;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Mas toda regra tem sua exceção, e, vez por outra, e ainda bem, mesmo um nome desse tipo pode ser usado com satisfação por quem o tem. Tive em tempos uma amiga muito querida que se chamava Deise - e, independentemente de ser um falso estrangeiro, sempre achei que o nome lhe assentava muito bem. Perguntei-lhe se sabia o significado. Ela sabia: vem do inglês "daisy", que quer dizer margarida. Acrescentei outra informação: a palavra no inglês moderno deriva da expressão anglo-saxônica para "olho do dia" (&lt;em&gt;Day's Eye&lt;/em&gt;), como a flor era conhecida entre os antigos ingleses. A moça adorou saber disso. "Um nome, que há num nome?" Num nome há muita coisa, jovem Julieta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-8566737392039450869?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/8566737392039450869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=8566737392039450869' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8566737392039450869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/8566737392039450869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/11/todos-os-nomes.html' title='Todos os Nomes'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2277713462103074086</id><published>2007-10-13T20:20:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:27:14.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Thiago de Mello'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leonardo da Vinci'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Vinci e poucos</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" height="100%" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" height="250" valign="top" background="" width="100%" unselectable="off"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;O sonho da argila&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O vocábulo puro, em que me amparo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;esquiva-se a meu jugo, e raro canto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Que a palavra da boca é sempre inútil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;se o sopro não lhe vem do coração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Mudo, contemplo os valorosos feitos&lt;br /&gt;de quem funda caminhos sobre os mares&lt;br /&gt;e edifica cidades, e ergue torres&lt;br /&gt;de cujo topo logre dominar&lt;br /&gt;o mundo inteiro&lt;br /&gt;- e ver que o mundo é pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante os que, cegos, trabalham a terra,&lt;br /&gt;sorvendo-lhe os tesouros mais esconsos,&lt;br /&gt;sem assombro, no convívio dos bois,&lt;br /&gt;com eles aprendendo a ser humildes,&lt;br /&gt;e dormem, vinda a noite, sossegados,&lt;br /&gt;- permaneço calado, e todavia&lt;br /&gt;algo em mim lhes inveja esse dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me pranteio por saber-me turvo&lt;br /&gt;ou por não me caber a paz dos brutos.&lt;br /&gt;Sei que morro amanhã, mas não me louvo&lt;br /&gt;a sóbria face que disfarça o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Move-me ao canto ver que a sombra cresce&lt;br /&gt;dentro de mim, enquanto um sol avaro&lt;br /&gt;esplende oculto - em céus só vislumbrados&lt;br /&gt;quando a argila, grotesca e ousada, sonha.&lt;br /&gt;E ver o inútil dessa argila em sonho,&lt;br /&gt;mais que mover-me ao canto, me comove. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Thiago de Mello&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;*       *       *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Gosto muito de poesia de diversos tipos, mas tenho uma tendência a apreciar de modo muito especial os poemas que dizem as coisas que eu próprio gostaria de dizer, se soubesse como. Aqueles que a gente lê e, simultaneamente à admiração, sente uma ponta (ou um iceberg) de inveja: "Deus do céu, o que eu não daria para ter escrito isso!" Um dos mais admiráveis exemplos da minha galeria é o poema acima, de autoria do amazonense Thiago de Mello - um poeta, diga-se de passagem, que mereceria fama muito maior que a que tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo de gostar tanto desse poema em particular é que ele levanta uma questão com a qual eu próprio me debato. Muito já se disse e escreveu sobre a "solidão do gênio" - mas como se arranjam os que sofrem dessa mesma solidão, sem ao menos &lt;em&gt;serem&lt;/em&gt; gênios? É natural que todos os que realizam grandes coisas sejam, inevitavelmente, criaturas solitárias, mas ao menos eles têm a consciência de suas realizações para se confortarem... E como ficam os que vivem no "limbo", os que pensam, e por isso perderam o direito à tranqüilidade da ignorância (a "paz dos brutos" de que fala Thiago de Mello), mas não têm suficiente talento para grandes feitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O simples fato de alguém adquirir um bocadinho de cultura, e, conseqüentemente, desenvolver uma mentalidade que ultrapasse ligeiramente o medíocre, basta para condenar essa pessoa a uma solidão não menos dolorosa do que aquela que devia afligir Leonardo da Vinci - mas sem trazer como compensação a capacidade de pintar uma &lt;em&gt;Mona Lisa&lt;/em&gt;, arquitetar edifícios grandiosos, inventar máquinas mirabolantes, falar várias línguas, esculpir, compor, tocar vários instrumentos musicais... Entre outras "coisinhas" que esse senhor fazia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;A sensação de estar sempre nadando contra a correnteza é aflitiva, e ainda mais aflitiva se torna quando nos damos conta de que há mais: quando se está nadando contra a correnteza e, além disso, nadando no meio de uma multidão de pessoas que nem percebem que &lt;em&gt;existe&lt;/em&gt; uma correnteza. Perceber que todo o nosso sistema de valores é particular - quer dizer, que temos noções diferentes das de todos sobre o que é importante e o que não é - implica uma visão diferente do mundo. Num certo sentido, em viver num outro mundo. Um mundo onde ter cultura vale mais que ter um peitoral definido, onde o conhecimento deve servir para fazer de nós seres humanos mais plenos, e não meramente para ganhar dinheiro, um mundo onde nenhum carro do ano na garagem e nenhum nível de &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; valem o ato de vender a alma a um sistema desumano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Entendo que Thiago de Mello fala da aflição de estar acordado num mundo onde todos parecem profundamente adormecidos, e, para além disso, da outra aflição, a de saber que outros que despertaram antes de nós realizaram grandes feitos pelos quais serão lembrados para sempre, e que isso não é para todos - nem mesmo para todos os que estão acordados. Porém, há o conforto de saber que, mesmo sem fazer algo que ponha nosso nome nas páginas da História, podemos fazer algumas coisas para que este mundo ganhe um pouco mais de sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;Estar acordado vale a pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td height="1" unselectable="on"  style="font-size:1pt;"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2277713462103074086?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2277713462103074086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2277713462103074086' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2277713462103074086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2277713462103074086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/10/vinci-e-poucos.html' title='Vinci e poucos'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1133081214387737000.post-2911315317906802525</id><published>2007-10-07T18:36:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T00:18:23.747-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='São João da Cruz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loreena McKennitt'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Igreja'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espanha'/><title type='text'>The Mask and Mirror</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/RwlRvcjbVNI/AAAAAAAAABk/G2p-kzdKwg0/s1600-h/286161_4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118712327043765458" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/RwlRvcjbVNI/AAAAAAAAABk/G2p-kzdKwg0/s200/286161_4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ff0000;"&gt;The Dark Night of the Soul&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Upon a darkened night&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;the flame of love was burning in my breast&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;And by a lantern bright&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;I fled my house while all in quiet rest.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Shrouded by the night&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;and by the secret star I quickly fled&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;The veil concealed my eyes&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;while all within lay quiet as the dead.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Chorus:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Oh night thou was my guide&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;oh night more loving than the rising sun&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Oh night that joined the lover to the beloved one&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;transforming each of them into the other.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Upon that misty night&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;in secrecy, beyond such mortal sign&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Without a guide or light&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;than that which burned so deeply in my heart.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;That fire t’was led me on&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;and shone more bright than the midday sun.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;To where she waited still&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;it was a place where no one else could come.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Chorus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Within my pounding heart&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;which kept itself entirely for her&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;She fell into her sleep&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;beneath the cedars all my love I gave.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;From o’er the fortress walls&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;the wind would brush her hair against her brow.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;And with its smoothest hand&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;caressed my every sense it would allow.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Chorus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;I lost myself to her&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;and laid my face upon my lover’s breast&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;And care and grief grew dim&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;as in the morning’s mist became the light.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;There they dimmed amongst the lilies fair&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;there they dimmed amongst the lilies fair&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;there they dimmed amongst the lilies fair.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Lembro bem de quando e como conheci Loreena McKennitt. Foi no quente e sufocante início de 1996. Eu tinha 21 anos e, pela primeira vez, estava num emprego que durou tempo suficiente para que eu precisasse passar um verão sozinho na cidade, enquanto o resto da família ia à praia. Era um emprego não muito diferente do que tenho agora - igualmente burocrático e desagradável. De férias da faculdade, adquiri o hábito de fazer um, como dizem, "happy hour": ao largar o trabalho no final da tarde, antes de ir para casa, passava pelo shopping da cidade para um café ou um sorvete e para desanuviar um pouco a cabeça. Depois, dispensava o ônibus e ia para casa a pé.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Ocasionalmente, visitava a loja de CDs do shopping, a BeBop (será que ainda existe em algum lugar?). O vendedor me conhecia e sabia que, embora eu fosse muito seletivo, não tinha o costume de economizar quando alguma coisa me agradava, de modo que não fazia objeção a que eu ficasse um tempo ouvindo alguns CDs. Foi dessa forma que, por puro acaso (ou assim me pareceu), certa tarde pus no player um disco intitulado &lt;em&gt;The Mask and Mirror&lt;/em&gt;, de uma (para mim) totalmente desconhecida cantora chamada Loreena McKennitt.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Sua música me impressionou de saída. Não podia ser facilmente definida, nem mesmo sob o rótulo "new age/world music", que naqueles dias aceitava praticamente qualquer coisa. A voz de Loreena é ao mesmo tempo suave e poderosa, altamente disciplinada, e os músicos que a acompanham, de altíssimo nível, manuseiam diversos instrumentos exóticos, de sonoridade inusitada. As músicas têm um quê de celta, mas não se limitam a isso - um campo já tão exaustivamente explorado por centenas de artistas -, unindo ainda elementos melódicos árabes, ibéricos, orientais, além de outras coisas que até hoje não fui capaz de identificar. Um som único, envolvente, rico, vigoroso, sensual, impossível de descrever. Só mesmo ouvindo para saber. E as letras não ficam atrás, pois, além de ser uma poetisa de muito mérito, Loreena é também uma pesquisadora de fôlego, capaz de adaptar e utilizar o melhor da poesia universal, e não só de língua inglesa. Em &lt;em&gt;The Mask and Mirror&lt;/em&gt;, por exemplo, a música &lt;em&gt;Prospero’s Speech&lt;/em&gt; é uma adaptação de um trecho da peça &lt;em&gt;A Tempestade&lt;/em&gt;, de Shakespeare, enquanto a própria canção de que quero falar, &lt;em&gt;The Dark Night of the Soul&lt;/em&gt;, nada mais é que uma versão belíssima para o poema &lt;em&gt;Noche Oscura&lt;/em&gt; ('Noite Escura'), de São João da Cruz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;A primeira coisa que fiz foi comprar o CD e levá-lo para casa. Quase todas as noites daquele longo verão, daí em diante, cumpri o ritual de apagar a luz, me deitar, pôr os fones e ouvir mais uma vez esse disco fantástico, que me falava, através da música e da poesia, de coisas belas, às quais valia a pena almejar. As recordações desagradáveis do dia de trabalho, das tarefas rotineiras, das pessoas mal educadas, dos colegas que só sabiam discutir aos berros sobre futebol, tudo isso se dissolvia sem que eu precisasse fazer nada, a não ser me entregar à beleza da música. Quando o disco terminava, eu estava suspirando fundo, me sentindo em perfeita paz, e pronto para uma noite de sono revigorante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Também tratei de saber quem tinha sido esse São João da Cruz, e isso não foi tão fácil, pois, na época, internet era algo de que os mortais comuns apenas estavam começando a ouvir falar. A biblioteca da Unisinos quebrou meu galho. São João da Cruz foi um monge carmelita espanhol, nascido em Fontiveros, na região de Ávila, em 1542, e falecido em Ubeda em 1591, no dia 14 de dezembro, data na qual sua memória é agora celebrada pela Igreja. Em 1726 foi canonizado pelo papa Bento XIII, e, em 1952, eleito patrono dos poetas espanhóis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;João da Cruz é reverenciado não apenas por católicos - foi um grande místico e um poeta de enorme talento, coisas pelas quais pode ser admirado por gente de qualquer religião, ou até por quem não acredita em coisa alguma. Sempre foi comum que religiosos se dedicassem à poesia com temas sacros, mas ele se destacou, não apenas por fazê-lo com uma força artística muito acima da média, como também por seus poemas se prestarem a mais de uma leitura. Seus versos parecem por vezes impregnados de uma carga de erotismo que pode soar perturbadora, quando se recorda que quem os escreveu era um religioso. A metáfora de &lt;em&gt;Noche Oscura&lt;/em&gt; - a alma humana, em seu desejo de encontrar Deus, sendo comparada a uma jovem que anseia por estar com seu amado - não é inédita na poesia cristã, e já não o era no tempo em que viveu o nosso poeta, mas duvido que alguém mais tenha tratado o tema de uma forma tão doce e pungente quanto ele. E a adaptação de Loreena não deixou que se perdesse nada da beleza e da emotividade da poesia original.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Meus leitores que tiverem percorrido com atenção a transcrição que fiz da letra de &lt;em&gt;The Dark Night of the Soul&lt;/em&gt; certamente terão notado que ela aparece aqui como tendo sido escrita do ponto de vista de um homem. No original não era assim: João da Cruz escreveu &lt;em&gt;Noche Oscura&lt;/em&gt; com um eu-lírico feminino, já que a alma era figurada como uma moça que escapa durante a noite para encontrar seu amado. Loreena McKennitt, claro, manteve a coisa assim. Quem fez essa alteração, trocando todos os pronomes masculinos - &lt;em&gt;he&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;his&lt;/em&gt; - pelos correspondentes femininos - &lt;em&gt;she&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;her&lt;/em&gt; - foi este que vos escreve, naquele verão há quase 12 anos. Copiei a letra, com essas adaptações, e a preguei na parede do meu quarto. Não havia perigo de ter que dar explicações, pois ninguém da minha família sabia inglês suficiente para ler aquilo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;Essa mexida no poema foi uma maneira que encontrei de me apropriar um pouco dele. E quis fazer isso porque essa canção foi minha primeira lição sobre o fato de que o amor pode existir sem ter um objeto. Enquanto estava deitado no escuro, ouvindo &lt;em&gt;The Dark Night of the Soul&lt;/em&gt;, eu podia senti-lo em mim, com uma nitidez e uma certeza que não deixavam dúvidas. Simplesmente não havia ninguém a quem oferecer esse amor, nem sequer alguém a quem dirigi-lo - em 1996 eu estava sozinho fazia tempo, e não havia conhecido mais ninguém que me des-pertasse interesse -, mas o desejo de amar e de dar amor estava ali, não menos forte por ser indefinido. Um desejo tão intenso que era quase doloroso, de ter alguém com quem partilhar aquele momento, aquela canção, alguém a quem abraçar, mexer em seu cabelo, olhá-la nos olhos e sentir que fazíamos o mundo melhor, ao menos um para o outro. Um desejo impossível, mas isso é assim mesmo: não raro, as coisas que mais vale a pena desejar são precisamente aquelas que não se pode ter.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffcc;"&gt;O poema fala sobre um desejo de entrega, de se abandonar ao ente amado, dar-se por inteiro a ele ou ela. João da Cruz não precisava preocupar-se com isso, já que estava falando da comunhão da alma humana com Deus, mas suponho que, por conta disso, minha adaptação soe estranha a muita gente. Nossa (nossa?...) cultura parece só considerar esse sentimento justificável para o sexo feminino, ou assim era antigamente - hoje em dia, nem mesmo para o sexo feminino: tanto homens quanto mulheres usam a palavra "amor" a torto e a direito, sem o menor critério, e geralmente, para evitar mal-entendidos, deve-se traduzir "amor" como significando simplesmente sexo mecânico, apenas para satisfação física, sem conexão alguma com coisas tão "bregas" quanto carinho, ternura, respeito ou importar-se um com o outro. De todo modo, parece que "não fica bem" a um homem ter o desejo de amar com essa intensidade, querer pertencer à amada, fazer-se com ela uma só pessoa, ansiar sinceramente por fazê-la feliz. É mais uma coisa, entre tantas, a fazer com que eu me pergunte de que mundo vim e o que estou fazendo neste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1133081214387737000-2911315317906802525?l=innerwilderness.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://innerwilderness.blogspot.com/feeds/2911315317906802525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1133081214387737000&amp;postID=2911315317906802525' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2911315317906802525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1133081214387737000/posts/default/2911315317906802525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://innerwilderness.blogspot.com/2007/10/mask-and-mirror.html' title='The Mask and Mirror'/><author><name>Marcos*</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06694555843029192408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/SZgfRq1-RqI/AAAAAAAAAJI/G6ZN6OBDz64/S220/Roman+Soldier+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_c_5gjQ54xzs/RwlRvcjbVNI/AAAAAAAAABk/G2p-kzdKwg0/s72-c/286161_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
